quarta-feira, 8 de junho de 2011
CORAJE e música!
sábado, 4 de junho de 2011
Registro histórico e AJP: um vídeo de CORAJE
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Há um ano, em Teresina...

Dois forasteiros aportaram por estas paragens. Umas barbas estranhas, um sotaque diferente... O que será que eles queriam?
Relutante e desconfiada, decidi me aproximar. Como pano de fundo, um mini-curso com um título que mais parecia um eco: “a crítica da crítica crítica...” ( “a sagrada família jurídica”).
Confesso que não estava muito predisposta para o evento. A cabeça dolorida pelo dente que havia arrancado no dia anterior por conta do bendito aparelho, o mau humor por não estar assistindo ao ” Fórum Íbero-Américano de Direito” que acontecia simultaneamente e que prometia ser um evento de debates e novas idéias. Tudo culpa do Macell que praticamente me obrigou a ir ao mini-curso!
Retornei à UESPI onde havia me formado um ano antes- sem poucos traumas. Foi lá que o mini-curso aconteceu.
Então eles começaram: Kant, Hegel, Marx... Até aí tudo bem. O primeiro ano da graduação havia sido razoavelmente bem aproveitado. Depois a coisa toda começou a tomar um rumo muito estranho: Stucka, Pachukanis, Boaventura, Sidekum, Alfonsim, Freire, Warat, Lyra Filho e até mesmo Saramago? Pensei comigo: “Peraí, cadê o bom e velho direito dogmático, ou sua crítica bem alinhada, cortês, de riso desdenhoso?”. Onde eu havia me metido?
Mantive-me um pouco afastada dos facilitadores, ainda que trocasse uma ou duas palavras a partir do segundo dia. Eu precisava de distância para pensar...
Percebi, então, que ali eu estava adentrando numa das mais profundas, conscientes, sensíveis e avassaladoras críticas às nossas instituições e aí também, obviamente, ao direito. Um “pré-ssentimento” de um porvir...
Ao final do mini-curso, que foi muito intenso, eu sabia que algo havia acontecido. E era dentro de mim. Uma voz que havia quase emudecido por conta de desilusões acadêmicas. Eu podia ouvir as cadeias rompendo e tudo o que eu havia reprimido por conta do curso de direito (por motivos que não cabem nesta postagem), simplesmente desaguando, águas rolando como no poema do Rosa ( Águas da Serra).
Não me senti revolucionária como os outros participantes- para mim eles eram revolucionários! Eles me pareciam bem mais maduros quanto a isso e acho que eu teria ainda muito o que resolver antes de me reconhecer como tal, mas a sensibilidade, o desejo de transformação, a perspectiva do plural, a dialogicidade, a ludicidade ( a literatura!), o sonho... Tudo estava de volta! E eu mal cabia em mim de contentamento.
E, bom, eles foram embora. Aqueles barbados de sotaque diferente. Soube que logo depois se tornaram professores e que hoje são vozes chaves do “u-tópico”, que aqui interpreto como o lugar que ainda pode ser...
Foram embora, mas deixaram um importante legado dentro desta que vos escreve.
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Trecho de Águas da Serra ( João Guimarães Rosa- Magma)
“(...)
E então, do semi-sono dos paraísos
perfeitos,
os diques se romperam,
forças livres rolaram,
e veio a ânsia que redobra ao se fartar,
e os pensamentos que ninguém pode deter,
e novos amores em busca de caminhos,
as águas e as lágrimas sempre correndo,
e Deus talvez ainda dormindo.”
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Quem constrói a ponte não conhece o lado de lá
Segue um pequeno e breve relato sobre a experiência CORAJE (Corpo de Assessoria Jurídica Estudantil) na Vila São Francisco, Teresina. O Coraje, núcleo de AJUP que surgiu em 2007, tocados por estudantes da UESPI (Universidade Estadual do Piauí), iniciou o trabalho na comunidade, há mais de um ano, inicialmente se articulando com líderes comunitários e associação de morades e agora inicia um novo trabalho: Um ciclo de oficinas sobre mobilização, participação popular e Direitos Humanos com um grupo de jovens da Comunidade.O relato, feito por Jorge André, integrante do projeto, é sobre a primeira oficina desse ciclo.
Quem constrói a ponte não conhece o lado de lá
A primeira vez é sempre complicada. Nervosismo dos dois lados, cada um querendo mostrar o melhor de si. Será que eu vou agradar? Será que eu vou fazer a minha parte direito? O que será que o outro está achando? Essas perguntas certamente povoam a mente de ambos.
No começo, acanhamento; um novo horizonte se apresenta para cada parte. A apresentação, um pouco desajeitada, um pouco pulando etapas, é reflexo da empolgação por iniciar uma nova jornada, e a vontade de que tudo dê certo. Uma criação de vínculos que há muito – pelo menos pelo projeto CORAJE – era esperada.
Um a um, os nomes vão se revelando; é complicado fixar quem são todos, pois uns acabam se destacando mais do que outros. Quem se propõe a construir ideias junto com uma comunidade, no entanto, tem que valorizar não só os que são mais explícitos, mas também os que não se manifestam, o porquê de eles não falarem. Coisas que o tempo ensina.
A falante e espevitada Bianca, o articulado Damião, o nervoso Hélio – mas cuja vontade de agir faz superar essa limitação – têm tanta importância quanto os que não falaram – talvez por isso seja difícil fixar-lhes os nomes, e dar-lhes a atenção devida.
Logo após, a dinâmica do quebra-cabeças, e dois grupos se formam com o objetivo de mostrar as dificuldades de se construir coletivamente (e o desejo de montar a figura, que não deixa perceber que faltam algumas peças, adquiridas no contato com o outro grupo).
Demora muito para que se faça algo de efetivo, mas os participantes têm a possibilidade de entender como vale a atuação de cada um para montar a figura (bem como para “montar” a realidade em que estão inseridos).
Ao f
inal, uma oração, reflexo de se trabalhar com um grupo de jovens ligado à Igreja Católica. Ainda que o CORAJE não se pretenda atuar “com fins religiosos”, deve ter em mente que o respeito à realidade deles passa pelo respeito à crença deles.
Por meio da comunhão dessas vivências, espera-se, um novo saber há de emergir nos/pelos dois grupos, que, no final das contas, fazem parte de um todo maior: a sociedade.