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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Poema sobre o encontro em Santarém


Por Pedro Martins

Nessa terra e nesse asfalto
nos rios e construções
somos um povo de tantas cores
uma história de tantos olhares
somos o que está passado
somos o que está futuro
somos gente, terra e água
arapiuns, jaraquis, tapajós
emaranhados em tipitis e taquaras
mundurucus, boraris
e quilombos em orquestra
anunciando direitos em trombetas
somos professores que nao dormem
estudantes sem professores
operários sem transporte
santarenos sem um pôr-do-sol
somos o presente gritando por vida
somos o que é e o que ainda está por vir

Participantes da reunião em ritmo de festa!
Poema escrito para a mística inicial da reunião da seção Pará do Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS), em Santarém, no campus da UFOPA, durante o V Festival de Direitos, em 27 de outubro de 2012.

domingo, 21 de outubro de 2012

Direito achado na beira dos rios Tapajós e Amazonas


V Festival de Direitos


O que é?

O Festival de direitos é um fórum surgido a partir da necessidade de debater os principais assuntos jurídicos e sociais da região de maneira crítica e teórica. É um evento que ocorre anualmente e teve início com estudantes e professores da Universidade Federal do Pará em Santarém. Sua programação é diversificada contando com exibição de filmes, oficinas temáticas e seminários/palestras/debates com professores/pesquisadores convidados.

Onde Acontecerá?

O Festival deste ano será no Hotel Amazônia Boulevard (Av. Mendonça Furtado, nº 2946 – Fátima) e Auditório Wilson Fonseca (Campus Rondon. Av. Marechal. Rondon, s/n – Caranazal) – UFOPA. As programações dos horários das 09h às 12h e das 15 às 18h (credenciamento, filmes e oficinas) ocorrerão no Hotel Amazônia Boulevard e pela parte da noite (19h às 22h) as mesas de discussão serão realizadas no Auditório Wilson Fonseca.

Quando? De 23 a 26 de outubro de 2012 (terça, quarta, quinta e sexta).

Quem pode se inscrever? Estudantes, professores e comunidade em geral.

Qual a carga horária? O evento dará o certificado com 28 horas complementares.

Qual o valor da inscrição? A inscrição terá o valor de 10 reais.

Onde me escrevo? No PCJ (Programa de Ciência Jurídicas) localizado no Hotel Amazônia Boulevard.
V Festival de Direitos

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Carta de protesto da prisão do advogado Rodrigo Maia


Carta Aberta do Encontro de Advogados Populares sobre a prisão do advogado Rodrigo Maia em Serra Pelada


A CPT, a Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), o Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Açailândia (DVH), além de advogados e advogadas populares repudiam a detenção de Rodrigo Maia, advogado que assessora juridicamente a organização dos moradores de Serra Pelada. Ele e outras oito pessoas foram presos após conflito ocorrido em 17 de agosto, no município de Curionópolis (PA).

1.   No último dia 17, moradores de Serra Pelada, no município de Curionopolis, PA, que realizava uma manifestação, através da qual solicitavam negociação de uma pauta de reivindicação, foram brutalmente dispersados pela Polícia Militar, mesmo após acordarem sobre a desinterdição da estrada de acesso à vila. Foram vítimas de uma ação truculenta da PM/PA que utilizou desnecessariamente bombas de gás lacrimogênio, tiros de balas de borracha, espancamento de moradores, etc. Revoltada com a ação violenta da policia a multidão depredou e colocou fogo em carros e escritório de uma empresa prestadora de serviço da Empresa VALE.

2.   No dia seguinte, várias prisões foram efetuadas mesmo já tendo sido desconfigurado as hipóteses de flagrante. Dentre as prisões está a do advogado popular, Rodrigo Maia Ribeiro, que assessora juridicamente a organização dos moradores de Serra Pelada, que no momento da ação intermediava uma solução pacífica para o conflito. Destaca-se que sua prisão ocorrera dentro de sua residência. Além das oito prisões feitas existe mandado para ainda mais oito pessoas.

3.   As regiões sul e sudeste do Pará são marcadas ao longo da história como arena de graves violações de direitos fundamentais, oriundas da imposição violenta e desigual do “modelo de desenvolvimento” centrado no agronegócio, na grilagem e nos Grandes Projetos, cuja instalação desconsiderou e desconsidera a história e os direitos das comunidades que aqui já habitavam ou que migraram para cá, em busca de melhores condições de vida. Não por acaso, essa região é vista como palco do processo indispensável de luta e resistência organizada, que conta com diversos atores comprometidos com a defesa de direitos humanos.

4.   Tais atores, no entendimento da ONU, adotado pelo Brasil, são todas as pessoas e grupos que trabalham pela implementação dos direitos assegurados nos instrumentos internacionais de proteção dos direitos humanos. Assim, são considerados como defensores de direitos humanos trabalhadores rurais, integrantes de associações comunitárias, movimentos sociais, entidades de defesas de direitos humanos, entidades de defesa do meio ambiente, de combate à corrupção, promotores e procuradores de justiça, membros da magistratura, servidores públicos, políticos, etc. Muitos desses defensores foram ao longo da história vítimas da pistolagem, da ameaça e de execuções sumárias, arbitrárias e extrajudiciais.

5.   Atualmente, um processo mais refinado de impedimento da atuação de defensores, lideranças e de comunidades vem sendo implementado com frequência, por quem impõe o poder político e econômico na região. Trata-se da criminalização de defensores de direitos humanos e lideranças, através da imputação indevida de crimes e ações delituosas através de procedimentos judiciais, parlamentares, administrativos ou policiais, em função das atividades de defesa e promoção de direitos humanos que os mesmos desenvolvem, que geram inclusive prisões arbitrárias e injustas como a que ocorreu no caso do advogado Rodrigo Maia.

6.    Diante de todo o ocorrido, vimos manifestar nossa indignação ante ao desrespeito não só as prerrogativas profissionais desse advogado, como a todo o processo violento e abusivo que lideranças e integrantes dos movimentos sociais vêm recebendo dos agentes do Estado.

Advogados, advogadas populares que participaram do encontro
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Açailândia – DVH

Repercussão:

Blogue do Evandro Corrêa