Estudantes carbonários mobilizam-se, num país que já teve/tem três presidentes da república diretamente atingidos pela ditadura militar por que passou. Mobilizam-se em torno de quê? Da história de seu povo, de suas resistências e de sua insurgência.
Inconcebível é a ausência de autoridades políticas, hoje, na luta direta pelo resgate da memória do país e pela justiça que dela decorre. Talvez o escritor Marcelo Rúbens Paiva estivesse correto quando disse, certa vez, que se congelassem um militar ao tempo da ditadura e o trouxessem à vida hoje (quer dizer, a partir da década de 1990) ele diria: "nós perdemos!" Em pouco tempo, porém, o militar se surpreenderia e suspiraria: "foi só um susto..."
Como a ditadura ainda não foi escancarada e como 1968 é um ano que certamente não terminou, é preciso continuar lembrando dos nossos mortos, dos nossos torturados. Longe de dizer "nunca mais", o Brasil esconde a sujeira debaixo do tapete e deixa seus juristas mais democráticos falarem: "pra que mexer em feridas fechadas?" Enganam-se eles, pois nossas veias estão mais do que abertas, jorram sangue, o qual ruboriza nossas avenidas por mais que, infelizmente, não enrubesçam seus passantes esquecidos de que aqui sangraram pelos nossos pés...
Por isso, divulgamos a iniciativa dos estudantes carbonários que começam a se organizar em torno de questões ininteligivelmente abertas. Seu blogue leva por título tais indagações desconfortáveis: "Quem torturou? Quem matou?" E inicia relatando a tortura sofrida por uma estudante e a execução, por um jornalista. A partir dos relatos e da clareza acerca do direito à memória e à verdade, propõem ações diretas, artísticas e polêmicas. A eles, damos vazão aqui.
Todo silêncio haverá de ser castigado, porque ninguém pode calar mesmo que esteja nu.
Ver também:
- blogue Quem torturou?;
- blogues O palco e o mundo, de Pádua Fernandes, e Pimenta com limão, de Niara de Oliveira (dos muitos inseridos na campanha "Desarquivando o Brasil", blogagem coletiva pela abertura dos arquivos da ditadura militar no Brasil);
- postagem Contra o legado do “ministério do silêncio”: a longa marcha de um golpe de 47 anos, por Ricardo Prestes Pazello;
- postagem Injustiça de transição na UnB, por Diego Augusto Diehl;
- postagem Direito e ditadura militar no Brasil, por Luiz Otávio Ribas;
- postagem Uno más para nunca más, por Roberta Cunha;
- texto A dura história, a história dita dura (ou Os bons meninos de hoje eram os rebeldes da outra estação), por Ricardo Prestes Pazello.
A farça está muito bem montada nos dias de hoje, mas felizmente temos pessoas que não se deixam ser vendadas pela ignorância e corrupção. Parabéns! pelo blogue.
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