Vivemos um momento histórico em que fica cada vez mais clara
a insuficiência de práticas institucionais e burocráticas à construção de uma
sociedade verdadeiramente popular. No Brasil vivemos hoje o desfecho de um
ciclo. Ciclo este que criou sonhos e expectativas e que formou uma geração de
militantes.
O que ocorria mundialmente no início da década de 90, o fim
da Guerra Fria, da União Soviética e a ascensão do neoliberalismo, era uma
ferida marcada no seio de milhões de sonhos de lutadoras e lutadores do povo
pelo mundo.
No Brasil, na contramão mundial, com o fim da ditadura
militar, o que vimos foi nascer uma chama de esperança no povo e na juventude
que então vai ás ruas clamar por uma nova ordem política, por um novo Brasil.
Porém, a conjuntura mundial aliada aos problemas sociais complexos que foram
enraizados no país ao longo destes 500 anos e às medidas recuadas daqueles que
detêm o poder, algemou os anseios do povo brasileiro e daqueles que lutam por
ele à lógica do possível, longe dos sonhos de libertação do século XX, presos
às regras e aos espaços permitidos pelo pensamento dominante, da utopia ao
conformismo.
No campo ideológico aprofundaram-se os hábitos de consumo
capitalista em detrimento à solidariedade, instigou-se a competição econômica
baseada em carreiras individuais em detrimento à cooperação social, ataram-se
as mãos do povo, não lhe sendo permitido criar um poder seu. No discurso
talvez, mas não de fato.