
E passo dia e noite. E passa noite e passa dia e eu aqui esperando minha alforria...
-De sete ruas para cinco. Cana muita, seu Moço!
-Não é não. Não é não. Não faz sentido sua reivindicação!
-Rei...O quê? Só tô dizendo que as forças num guentam, não... Sete ruas é cana de montão! Mas e o banho, pode, seu Moço? Almoço e banho, daí fica tudo muito bom, dá até p’ra 'guentar o sol na moleira e dá p’ra segurar o rojão das sete ruas. Sete ruas...
-Hum...Banho,não. Banho para quê, se vai sujar tudo de novo? Você não precisa de banho, não.
-Me disseram que o tal do Ministério vem aí...
-Não tenho medo, pago advogado caro é para isso mesmo.
-Então tá certo... Pois deixa eu cuidá que são sete ruas, não cinco e sem banho, tambeim. Com cinco as coisas seriam melhores...
-Seriam nada! E daqui a pouco as máquinas estão vindo. Precisa ver a alta tecnologia daquilo lá. E então tudo isso acaba! É cana, é chão, é dinheiro na minha mão.
-Máquina, é? Tava tendo ciência disso, não... E o que sobra p’ra nóis?
- Aí eu não sei. Não é problema meu.
-Pois é... Agora que tô vendo. Mas isso vai ser p’ragora?
-Parece que vai ser para logo. É melhor ir tratando de cortar suas sete ruas enquanto você ainda pode, daqui a pouco não vai ter mais rua nenhuma para cortar.
-Tá certo, seu Moço. Tá certo. Xô ponhá os trem de prontidão p’ra labuta de aminhã... O restante o Senhor, nosso Deus, provirá...


