Mostrando postagens com marcador Luiz Otávio Ribas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Otávio Ribas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Microconto


Nas ruas de uma grande cidade
Uma catadora de papel procura
No lixo seu sustento

Ao encontrar um livro velho
Com a capa dura vermelha
Não hesita em arrancar as folhas amareladas
E separar o material plástico para reciclagem

A atitude desta mulher é repleta de
Ingenuidade, sabedoria e justa raiva

Porque a letra nada sabe
O que suas mãos sentem

E na incerteza de rasgar
Quando pouco de leitura entende
Narra a vida sem hesitar
E sem ler escreve

FONTE: Dulcinéia Catadora


Gisberta Kali e Luiz Otávio Ribas, Valença, 28 nov. 2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Triplo carpado é a constituinte!

Luiz Otávio Ribas

Sempre me incomodou a frase "o mundo é dos espertos".

Não é de hoje que me revolta o uso de regras de procedimento para inviabilizar o argumento contrário. Um exemplo clássico é alguém que por ter depositado centavos a menos perde todo um processo na justiça. Algo suficiente para frustrar qualquer estudante iludido com o direito, ou levantar as antenas dos psicopatas sociais. Ainda não me decidi de que lado estou, mas o Eduardo Cunha e o Fernando Henrique Cardoso estão certamente bem decididos.
O regimento interno do Congresso Constituinte de 1987 foi escrito por FHC, junto com outros espertos, que criaram um emaranhado de regras contraditórias que geraram um buraco negro. Explico: na discussão sobre um substitutivo e o sumiço de um parlamentar na hora H da votação da reforma agrária, Edson Lobão - garoto esperto - deu mais uma rasteira com base no "claríssimo" regimento. A questão é que o regimento não previa nada, abrindo um vácuo e a possibilidade de se decidir qualquer coisa. Com esta omissão, proposital ou não, a reforma agrária foi parar no espaço sideral.
Eduardo Cunha parece ter aprendido esses "paranauês" para levar adiante a votação do financiamento empresarial de campanha e da redução da maioridade penal. Antes que alguém pudesse pensar que se tratava de uma grande sacanagem veio a simpática frase "foi um salto triplo carpado hermenêutico" - agora com a benção do STF. Eu, que ouvi muitas vezes que a nossa proposta de constituinte para reforma política era golpista finalmente entendi: "o mundo é dos espertos, dos espertos".

O ginasta e astronauta FHC: "- O PSDB quer uma nova eleição, não um golpe". 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O idiota sou eu

A sala de aula pode se tornar num campo de batalha, num divã, ou pior, num lugar para catarse.
Num debate sobre a tortura o estudante mais velho da turma justifica seu uso pela eficácia. Constato a divisão de opiniões polarizada quando emergem outras pérolas como "são profissionais altamente treinados pra isso". Eu já havia contado o que sei sobre o "uso moderado da força para fins confissão" nos EUA. Já tinha feito a piada sobre o Capitão Nascimento ser o Jack Bauer brasileiro, que resolvia tudo na porrada. Só cresciam os comentários sobre a possibilidade e até a necessidade do uso da tortura. Estava vivendo meu pior pesadelo. Um jovem professor idealista do combate à tortura desmoralizado pelo discurso da ordem militar.
Foi quando pensei sobre o porquê escolhi ser professor. O que eu pensava sobre profissão e vocação, e todo mundo que eu admirava por viver isto intensamente. Então comecei a divagar com o que lembrava das lições da professora Jeanine Philippi, sobre o conceito de idiota para Hannah Arendt. A cada frase que eu dizia repetia enfaticamente no final:
"- Idiota!".
Seria aquele que pensa que o mundo gira entorno do seu umbigo.
"- 'Fiz, porque recebi ordens'. Idiota!".
No final da aula, o estudante vencedor do debate, que há pouco me olhava com os olhos esbugalhados, aperta minha mão com um muito obrigado para nunca mais voltar.
Luiz Otávio Ribas, Rio de Janeiro, 27 abr 2015
Hannah Arendt bolada

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Escrevendo a tese piando



Hoje quero responder a pergunta "O que que é direito insurgente?" na base do pio: