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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Homenagens ao advogado Eugenio Lyra


Eugênio Lyra foi poeta e advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria da Vitória e Coribe, na Bahia. Foi assassinado em 22 de setembro de 1977 por denunciar crimes de grileiros da região. Gostaríamos de lembrar alguns de seus poemas e outros que foram escritos para homenageá-lo. Ele lançou os livros de poemas “Fogos fátuos”-1965 e “Abismos”-1968. Foi escrito o livro em seu nome "Eugênio Lyra, presente". Extraímos alguns poemas daqui e dali:

Delirium

Petição do processo 17.022

Terra em terra

Sem Título

Senhor capitão


Leia aqui uma seleção de alguns poemas em homenagem a Eugenio Lyra.
Lúcia Lyra, advogada e companheira de Eugênio, no Tribunal Nacional dos Crimes do Latifúndio, em 1987.

Outras postagens:

Poema em homenagem a Eugênio Lyra, Vladimir Luz, 21 de julho de 2010.

Lembrando quatro advogados populares assassinados: símbolos da resistência jurídica, Ricardo Prestes Pazello, 24 de abril de 2011.


sábado, 22 de setembro de 2012

Poemas em homenagem a Eugenio Lyra


Jelson Oliveira
Do livro “Raízes: memorial dos mártires da terra”

Eugênio Lyra


(Advogado dos trabalhadores/as rurais de Santa Maria da Vitória e Ecoribe, Bahia. Assassinado no dia 22 de setembro de 1977).

(Pesado, o tempo vestiu a suficiência do carvão
Engomado pelo destino severo da morte e suas ferramentas...)

Preservaste a dureza exata das verdades
Como rubis perpetuados no celeiro escuro da terra
Como peixe embebido no rio e suas diferenças
Como nuvem decifrando o enigma cilíndrico do azul.

Antes que a terra ouvisse o rouco grito
- e a queda do corpo recolhido
retornasse ao orvalho e à cal -,
foste um silencia estendido e úmido,
soprando acima dos tribunais armados.

Foste a fertilidade dos protocolos
E suas vasilhas de invejas e tiranias.
Habitante das legislações do amor e seus ninhos,
procuraste os roteiros desusados da Justiça
para traçar o direito proibido dos pobres.

Apartado como um rio, carregado de verdade e som,
Defendeste a integridade do povo
Na casa onde desfalece o corpo dos relâmpagos.
Indomado, acendeste a luz para lumiar
O caminho aos que te seguem noite adentro...



Vladimir Luz 

EUGÊNIO LYRA

Era uma vez uma criança que lia

E, num instante, a palavra lida se fez carne
Terra batida, sol a pino
Luz do sertão, mãos estendidas
Fez-se olhar sem ter onde
Corpo que espera o outro
Abraços de tantos que vagueiam

E a palavra se fez lei, grito calado
Latifúndio, latim
E a criança que lia virou homem, andarilho
Viu-se nos outros, como se via nas palavras
Pariu a si mesmo emprestando sua voz
Fez-se ato, gesto e luta
Homem que, por se fazer ser em muitos
Cravou sua sina

Era uma vez uma criança que lia
Eterna criança que se fez e se faz
Em nós – Justiça



A volta do ladrão de gado

Cordel anônimo em homenagem a Eugênio Lyra, 
de lavradores de Santa Maria da Vitória

Hoje eu vivo recordando
já não esqueço seu nome
de quem morreu inocente
pela tradição de uns homens
o saudoso advogado
o nosso Doutor Eugênio
que deixou grande saudade
do maior ao mais pequeno.

Eu peço ao Deus poderoso
o nosso pai de bondade
protegei todos que lutam
com essa dificuldade
dai muita força e coragem
à justiça para vencer
os grileiros da Bahia
senão muitos vão morrer.

Em 22 de setembro
houve este acontecido
foi isto em 77
gravei bem no meu sentido
quando chegou a notícia
que Eugênio tinha morrido
morto por um pistoleiro
mandando pelos bandidos.


Poema anônimo a Eugênio Lyra

Meu coração está magoado
minha alma está ferida
meu real advogado
por nós perdeu a vida.

Ó tristeza para todos nós
quanta amargura
nunca mais veremos seu sorriso
nunca mais.


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Da biblioteca "Poesia crítica do direito"

Sem título


Eugênio Lyra
Do livro “Eugenio Lyra, presente”
I

Plantemos novas sementes
colhamos frutos maduros,
rompamos todas as frentes
e os obstáculos futuros.

Sejamos mais conscientes
e, juntos, onipotentes,
prostremos todos os muros.

Do teu, para sempre,
Eugênio – 14/04/71


II

Toda hora é breve.
A greve é só um passo
Casso sem poder ou ciência
A violência é nada
e irrisória.
Importante é a consciência.
A história vence a escória dos chefões.
NAÇÃO,
que dragões te sufocam?
O fio é de prumo.
Certo.
Escuta:
A luta é que é o rumo.

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Terra em terra

Eugênio Lyra


Me oculto no teu ventre 
            TERRA
Me encontro, homem, no teu grito
   TERRA
Espero da justiça o último
E                      TERRA
C
O
E trago no meu grito o fato
   TERRA
Aqueles que não têm
                        TERRA
Aqueles que tiveram
                        TERRA
Aqueles que pretendem
                        ter
                           ra
ter
Não morrerão sem
                               TERRA


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Petição do processo 17.022


Eugênio Lyra em petição feita no processo 17.022, 
1ª Vara de Assistência Judiciária de Salvador, em 1970

-       O número desse processo
dúvida alguma se me impôs:
é de dezessete mil
um zerinho e vinte e dois.

Diante do desrespeito
vista a procrastinação
ficou sem o seu efeito
a dita consignação.

Enfim, é bom que se diga
-       sem interesses mesquinhos –
que a insensatez e a intriga
trazem transtornos daninhos.

Espero seja encontrado
dito processo sumido
para que seja negado
noutro Juízo um pedido.

Para que não mais se inquira
abaixo fica firmado
do autor advogado
o doutor Eugênio Lyra.

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