quinta-feira, 3 de março de 2011

Denúncia: Exoneração de advogados e estagiários do Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar

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Em nota, advogados e estagiários exonerados do Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar (EFTA) explicam a situação por que passam no Ceará, depois da decisão da Assembléia Legislativa de afastar todos os assessores do escritório e proceder a novas contratações. Estas, que sempre foram públicas, agora estarão ao alvedrio da nova mesa diretora da referida Assembléia.
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O EFTA tem histórico de referência na defesa dos direitos humanos no Brasil, atuando junto às classes populares, e proporciona integração entre advogados populares e estudantes dos grupos de extensão/comunicação guiados pela assessoria jurídica popular universitária.

Uma lástima, para a assessoria jurídica popular brasileira, ver a situação do Escritório com a exoneração dos advogados e encontrar o nome de Frei Tito aviltado por uma postura antidemocrática como esta.

A seguir, nota de esclarecimento dos advogados e estagiários exonerados da EFTA, chamando para uma reunião contra o fechamento do escritório:


ADVOGADOS DO ESCRITÓRIO FREI TITO SÃO EXONERADOS DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

Conforme foi noticiado no Diário do Nordeste do último domingo, dia 27, trinta por cento dos funcionários foram excluídos da folha de pagamento da Assembléia Legislativa por ato do novo presidente da Casa, Deputado Roberto Cláudio.


Com o Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar não foi diferente. Criado em junho de 2000, o escritório é vinculado à comissão de Direitos Humanos e Cidadania, atuando em parceria com entidades públicas e privadas na defesa da sociedade contra violações aos direitos humanos, em demandas coletivas ou individuais de grande repercussão.


Nesses mais de dez anos, destaca-se principalmente na defesa do direito constitucional à moradia, através do acompanhamento às diversas comunidades e ocupações. Mesmo trabalhando arduamente no cumprimento da sua missão, acompanhando mais de cem comunidades na capital e no interior, os advogados e estagiários não foram poupados da “canetada” do Presidente.


Nossa equipe não foi informada sobre a decisão ou sobre os seus motivos, tendo percebido o rompimento do vínculo quando não foi recebido o salário referente ao mês trabalhado.


Até o momento, não obtivemos resposta de nenhum setor da Casa sobre uma possível revogação do ato que nos destituiu, ao contrário, na manhã de hoje, dia 03 de março, fomos informados pela Diretoria Adjunto-Operacional, que realmente TODOS os advogados foram exonerados e que a Assembléia iria selecionar novos profissionais.


Informamos ainda que, a seleção dos advogados é realizada de forma pública, através da divulgação de edital de seleção, na qual profissionais comprometidos com a luta pelos direitos humanos e com histórico de aproximação com as demandas populares são escolhidos pela Comissão de Direitos Humanos.


Diante disso, solicitamos o apoio das comunidades assessoradas, dos movimentos sociais, dos parlamentares, da imprensa, das organizações estudantis parceiras, dos pesquisadores, dos órgãos de defesa dos Direitos Humanos, das ONG’s, Fóruns e Articulações parceiras, enfim de qualquer pessoa que acredite no papel desempenhado pelo Escritório Frei Tito.


Para isso, convocamos os companheiros e as companheiras para uma reunião a fim de discutirmos as possíveis estratégias de enfrentamento a tamanho boicote político.


Onde? Complexo das Comissões da Assembléia Legislativa


Quando? 10 de março


Que horas? 14:30h

08 DE MARÇO: DIA DE LUTA DAS MULHERES ESTUDANTES

O Brasil se incorporou à lista dos países que têm ou tiveram o cargo máximo do Poder Executivo ocupado por uma mulher. Longe de acreditar que ter uma mulher como Presidente é o suficiente para as aspirações do movimento feminista, vemos à nossa frente uma longa caminhada em direção a uma sociedade tolerante e justa, na qual homens e mulheres tenham igualdade de oportunidades.

Nós, mulheres, passamos por um intenso processo de adestramento que se inicia no momento no qual os genitores desejam saber previamente qual o sexo do bebê. A partir deste momento, os genitores investirão seus recursos na compra de roupinhas azuis e carrinhos, ou em roupinhas rosas, bonecas e panelinhas. Desde já somos ensinadas a permanecer no espaço privado, cuidando do lar e da família. Devemos falar baixo e pouco, sermos educadas e submissas. Como desenvolver e preservar nossa igualdade e autodeterminação diante de uma educação machista?

No desenvolvimento da nossa vida em sociedade apresentam-se para nós salários mais baixos que os dos homens para trabalhos iguais, déficit de creches, violência doméstica, mercantilização de nossos corpos na mídia, ausência de políticas que garantam a permanência das mulheres mães na escola/universidade, impossibilidade de decidir sobre nosso corpo através do aborto, cerceamento do desenvolvimento de nossa sexualidade reforçado pela Igreja... Todas essas medidas minam nossa autonomia.
Hoje, enfaticamente dentre essas descrições, a proibição do aborto vem a serviço de um processo de criminalização da pobreza, uma vez que são as mulheres mais pobres as afetadas pelos procedimentos abortivos precários, aquelas que não dispõem de renda suficiente para pagar o aborto seguro, oferecido por clinicas caríssimas. São essas mulheres sem acesso ao serviço público de saúde que entram nos trágicos números das pesquisas: o aborto mal feito é a 3ª causa mais freqüente de morte materna no Brasil.
O EMPODERAMENTO DA MULHER É NECESSÁRIO PARA SUA EMANCIPAÇÃO!
Desta forma, para vermos implementado na sociedade um projeto feminista é necessário que nós nos organizemos e nos mobilizemos em torno das nossas bandeiras e reivindicações. E a *Federação Nacional de Estudantes de Direito (FENED)*, entendendo-se como um instrumento de atuação coletiva das/os estudantes de direito organizadas/os em torno da luta pela erradicação das desigualdades vivenciadas em nossa sociedade, deve posicionar-se ao lado das lutas das mulheres, pois não podemos vislumbrar uma nova sociedade sem a superação da condição atribuída à mulher hoje!
Assim, é fundamental a participação da Federação no dia *08 de março*, dia que marca a histórica luta da mulher por sua libertação!
Durante a campanha eleitoral, quando vimos o debate sobre o aborto sob uma perspectiva conservadora, já se demonstrou o desafio que temos à frente. Além disso, o ano já começou com violações às conquistas das mulheres, com ministros do STJ restringindo a aplicação das punições da Lei Maria da Penha, projetos de lei "pró-vida" - que são um retrocesso em termos de autonomia e garantia da saúde da mulher - entre outras.
Dia 08 é dia de nós, mulheres estudantes de direito, a partir de nossas próprias vozes, reforçarmos as pautas feministas perante a sociedade, para que avancemos nas nossas conquistas!

Mulheres da FENED

Twitter: @MulheresFENED

E-mail: mulheres.fened@gmail.com
site: www.fened.org.br

quarta-feira, 2 de março de 2011

Calourada do SAJU-SP e extensão

Sobre a universidade e a extensão popular

Por Luiz Otávio Ribas

A convite do SAJU-SP, ontem participei de atividade junto com o professor Marcus Orione e a assessora estudantil Amanda. Mais dezenas de calouros e veteranos que lotaram a sala dos estudantes - território livre da faculdade de direito da USP. Agradeço muito o convite e ao colega Prof. Ivan Furmann, pela parceria de sempre. Abaixo segue o texto de minha apresentação:

"É difícil encontrar motivos para estar na universidade, para ficar, para não ficar, para abandonar, retornar e ser expulso.

Calourada do SAJU-SP: Luiz Otávio, Amanda e Marcus Orione.

terça-feira, 1 de março de 2011

Ocupação 28 de Maio e a assessoria jurídica

A ocupação do Bairro Záchia em Passo Fundo -RS, no dia 28 do mês de maio completa 6 anos, nesta poucas linhas pretendo relatar a experiência que tivemos com assessoria jurídica, o acesso á justiça e suas implicações, e também, modestamente, colocar como acreditamos que deve ser a relação assessores jurídicos/movimento.

Como assessoria jurídica pretendo relacionar desde os advogados que representam o movimento até grupos que realizam oficinas relacionadas ao tema.

A importância da assessoria jurídica para um movimento social não deve se resumir unicamente na defesa junto ás esferas judiciárias, para um movimento popular é importante que exista um acordo e uma visão clara dos limites entre o político e o jurídico.


Para os advogados que o representam, é importante ter uma noção clara do que busca esse movimento, para que não haja conflito, ou seja, a questão jurídica não deve interferir na linha geral que esse movimento pretende seguir, senão corre-se o risco de cairmos no labirinto da burocracia do judiciário, que cabe aqui ressaltar, tem pouquíssimo a ver com as demandas populares. Daí a importância de assessores jurídicos comprometidos com as causas populares e que tenham a clara noção dos limites que a justiça representa.

Na ocupação 28 de Maio, tivemos a parceria do CAJU- Centro de Assessoria Jurídico Universitária, do qual participava o Colunista Luiz Otávio Ribas- essa parceria proporcionou que realizássemos oficinas onde foi debatido como funciona, os limites e o acesso das classes populares à justiça. Essas oficinas serviram para ajudar a nortear as ações do movimento e para horizontalizar o debate sobre a questão jurídica.

Já os advogados que representavam o movimento, mesmo que pertencentes a uma linha política, participaram mais como conselheiros, sem ingerência sobre o movimento e nunca as decisões políticas ficaram subalternizadas á questão jurídica.

Na ocupação 28 de maio tivemos uma boa parceria com os assessores jurídicos, mesmo que algumas vezes houvessem discordâncias, conseguimos trabalhar com respeito mútuo e autonomia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Nota de falecimento de Sebastião Bezerra

Divulgamos mais uma notícia urgente. Esta sobre o assassinato do advogado Sebastião Bezerra da Silva, divulgada na página do Movimentos Nacional de Direitos Humanos - MNDH.

Companheiro Sebastião, presente! Agora e sempre!

Segue a nota de pesar na íntegra:

Nota de Pesar - Defensor de DH é assassinado em Tocantins
28-Fev-2011
É com o mais profundo pesar e a mais profunda consternação que o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) registra o assassinato, no Estado de Tocantins, do advogado Sebastião Bezerra da Silva, coordenador do Centro de Direitos Humanos de Cristalândia (TO) e secretário do Regional Centro-Oeste do MNDH.
O corpo de Sebastião Bezerra da Silva, 40 anos, foi encontrado na madrugada desta segunda, 28 de fevereiro, na fazenda Caridade, em Dueré, sul do Estado. 
Sebastião Bezerra da Silva foi torturado antes de ser morto e o assassino ou os assassinos tentaram enterrar apressadamente seu corpo. 
Neste momento de dor e de pesar, o Movimento Nacional de Direitos Humanos vem solidarizar-se com a família de Sebastião Bezerra da Silva e com todos os seus companheiros do Regional Centro-Oeste do MNDH.
Desde o momento em que soube do acontecido, o MNDH vem acompanhando pormenorizada e intensivamente as informações a respeito do assassinato. 
Confiamos que as autoridades policiais do Estado de Tocantins realizem um trabalho diligente na apuração dos fatos, e confiamos, igualmente, na transparência das investigações para que este crime contra um defensor dos Direitos Humanos não fique impune.
Brasília-DF, 28 de Fevereiro de 2011.


Coordenação Nacional do MNDH

Denúncia: Famílias sem-teto completam 10 dias morando na calçada, na região metropolitana de Curitiba

Mil policiais, em cem viaturas, contra famílias sem casa (foto: Diário de Piraquara)

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O carnaval se aproxima e a festa inebria a todos. Ou melhor, a quase todos. A situação urbana do país é caótica e o desrespeito para com milhares de pessoas corre solto. Em Piraquara, região metropolitana de Curitiba, o direito à cidade é mera promessa. A propriedade privada dos meios de produção e as sentinelas políticas deste modo de produzir a vida vão "ressuscitar", em 2011, o sucesso do carnaval carioca de 1934, cantado por Noel Rosa (abaixo a notícia de hoje sobre a situação em Piraquara):

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O orvalho vem caindo (Noel Rosa e Kid Pepe)

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O orvalho vem caindo

Vai molhar o meu chapéu

E também vão sumindo

As estrelas lá no céu

Tenho passado tão mal

A minha cama é uma folha de jornal

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Meu cortinado é o vasto céu de anil

E o meu despertador

É o guarda-civil

Que o salário ainda não viu

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A minha terra dá banana e aipim

Meu trabalho é achar

Quem descasque por mim

Vivo triste mesmo assim

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A minha sopa não tem osso nem tem sal

Se um dia passo bem,

Dois e três passo mal

Isto é muito natural

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O meu chapéu vai de mal para pior

E o meu terno pertenceu

A um defunto maior

Dez tostões no Belchior

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Ver a notícia de hoje, 28/02/2011:

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Famílias de Piraquara (PR) completam dez dias na rua

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Despejadas de um abrigo da Prefeitura, cerca de quarenta pessoas, entre adultos e crianças, aguardam solução para a moradia.

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Cerca de 15 famílias de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, completam hoje dez dias morando na rua. Na sexta-feira 18 de fevereiro, as famílias foram despejadas do abrigo em que se encontravam desde dezembro, um ginásio pertencente à Prefeitura e anexo a uma escola no bairro Guarituba. Participaram da operação de despejo quatro viaturas da Polícia Militar do Paraná, agentes à paisana do serviço de inteligência da corporação (PM-2) e o Secretário do Meio Ambiente de Piraquara, Gilmar Clavisso (PT).

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Segundo a Prefeitura, que havia cedido provisoriamente o imóvel aos sem-teto, o Município não tem responsabilidade habitacional pelas famílias. A juíza que decretou a reintegração de posse, Diocélia Mesquita Fávaro, acolheu o argumento, considerando, em audiência, que Piraquara não pode atender aos “filhos de outros municípios”.

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Em dezembro, as famílias já haviam sido despejadas de terreno localizado às margens da Rodovia Leopoldo Jacomel, em ação que contou com cerca de 1.000 homens da PM-PR. Na ocasião, o Ministério Público do Paraná, representado pelo Promotor Marcelo Luiz Beck, requereu o despejo em ação judicial, alegando que a ocupação do terreno destruiria o meio-ambiente, prejudicando os mananciais da região. Logo após a remoção das famílias, porém, a Prefeitura anunciou a construção de um areial no terreno, empreendimento destinado à extração de areia para construção civil, muito comum na região.

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O Prefeito Gabriel Jorge Samaha, o Gabão (PPS), chegou a estar presente no ginásio em dezembro, prometendo aos moradores que trabalharia por uma solução junto ao Estado e ao Município. O presidente da Companhia de Habitação do Paraná, Nelson Roberto Justus (DEM), empresa responsável pela habitação social no Estado, declarou que, por mais emergencial que seja a situação das famílias, o cadastro da Cohapar deve ser respeitado.

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Drama habitacional

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O Guarituba é a maior ocupação irregular do sul do Brasil, com cerca de 55 mil habitantes. Desde 2006, o Governo Federal tem implementado, em consórcio com a Prefeitura de Piraquara e a Cohapar, o PAC Guarituba, obra de regularização fundiária que, na primeira etapa, despendeu 98 milhões de reais. As obras previam saneamento básico, ligações de água e luz, asfaltamento e a construção de 800 casas, destinadas à relocação das famílias que moram dentro da faixa de preservação dos rios.

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No entanto, a regularização avança a passos lentos – as casas, com menos de 40 m2 em média, estão em construção há dois anos, as ações de usucapião ainda não ultrapassaram a primeira fase e somente duas ou três ruas foram asfaltadas no Guarituba. No fim de 2010, denúncias de corrupção levaram à criação da CPI dos barracões na Câmara dos Vereadores de Piraquara. Entre os moradores do Guarituba, é forte a suspeita de desvio das verbas do PAC. “Estas ruas foram todas roubadas, é por isso que não foram asfaltadas”, relata um líder comunitário local, que preferiu não se identificar.

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(fonte: blogue do PSOL-Curitiba)

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Para quem quiser acompanhar o histórico da situação em Piraquara, algumas notícias:

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- Famílias permanecem sem abrigo e Relatoria do Direito Humano à Cidade se manifesta (Plataforma Dhesca Brasil);

- Famílias acampadas na rua sofrem ameaças (PSOL-Curitiba);

- Famílias do Guarituba na iminência de novo despejo (O Estado do Paraná);

- Famílias abrigadas em ginásio sofrem despejo forçado (Brasil de Fato);

- Reintegração adiada em Piraquara (O Estado do Paraná);

- Famílias alojadas em ginásio seguem apreensivas (O Estado do Paraná);

- Meio ambiente, pretexto para criminalizar comunidades (Brasil de Fato);

- A terra treme na beira do Iraí (ENEPEA);

- Ânimos quentes no Guarituba (Gazeta do Povo).

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Rui Mauro Maríni, a teoria marxista da dependência e a função pedagógica do direito

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Em tempos atuais, muito se ouve falar, e até mesmo se diz, acerca de uma teoria da dependência, desenvolvida na América Latina, justamente nos tempos das trevas ditatoriais por que passou o continente. Tristemente, porém, pouca apropriação há do debate em sua totalidade, o que se verifica pela canonização do texto de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faleto, "Dependência e desenvolvimento na América Latina".

O texto de Cardoso e Faleto tem sua importância, mas como um dos possíveis aportes sobre o problema. Na tradição teórica brasileira, outra visão se concretizaria e traria interpretações originalíssimas a partir de outras bases de análise. De fato, a teoria marxista da dependência não pode se confundir com os teóricos da dependência em geral. E, neste ponto, convém resgatar dos mais importantes nomes da análise marxista sobre a dependência, o do brasileiro Rui Mauro Maríni.
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Maríni é daqueles intelectuais que, desgraçadamente, encontra-se exilado, até hoje, das principais discussões em torno da interpretação do Brasil e da América Latina, apesar de ter retornado a sua terra natal após o processo de "anistia" (vindo a falecer no Brasil em 1997). Sua história vai da graduação em direito (que não concluiu) e da graduação em administração até a atividade docente na UnB, ao mesmo tempo em que, por decorrência da intensa militância estudantil, funda a POLOP - Política Operária. A partir do grupo da POLOP é que se originariam vários importantes nomes da teoria marxista da dependência brasileira, como Teotônio dos Santos e Vânia Bambirra, dentre outros. Além de a POLOP, de crucial importância foi o grupo de estudos sobre "O capital", na Universidade de Brasília. Toda esta militância, na prática e na teoria, renderia a Maríni a prisão e a tortura em 1965, já que a POLOP tentaria efetuar a resistência armada, por meio de uma guerrilha rural, e seria descoberta pelos órgãos de inteligência e segurança nacional da ditadura de 1964. Seu exílio se passaria quase todo no México, onde viria a ser professor da UNAM - Universidade Nacional Autônoma do México, à exceção do período do governo de Salvador Alende em que Maríni viveria no Chile. Diga-se, desde logo, que quase toda a obra de Rui Mauro Maríni está disponível em uma página da UNAM destinada a seus escritos, em espanhol.

Sua produção teórica se articula ao debate do dependentismo de autores da periferia do capitalismo, em especial André Gúnder Franque e Aníbal Quijano, dentre outros, além de os já citados Teotônio e Vânia. E neste contexto é que formula vários conceitos bastante fecundos para a análise da realidade do subdesenvolvimento capitalista. Assim é que surgem as teorizações sobre a dialética da dependência, a superexploração do trabalho, o subimperialismo e a noção de classe operária.

Ao contrário das vertentes veberianas, a teoria da dependência de um Maríni centrava-se no motor histórico da luta de classes e não acreditava em um desenvolvimento possível e com bem-estar a partir dos avanços tecnológicos do capitalismo, pois se fazia necessária uma ruptura cabal com este modo de produção, o que se anunciava pela necessidade da revolução socialista no continente. Em boa medida, esta é a briga que envolve os teóricos da dependência, em que, de um lado, estavam os marxistas como Maríni e Tetônio dos Santos e, de outro, os antimarxistas como FHC e José Serra (ver o texto "As razões do neodesenvolvimentismo", de Maríni, polemizando abertamente com Cardoso e Serra).

Sendo suas grandes contribuições para a teoria da dependência a continuação da interpretação do materialismo histórico para a América Latina, a partir não só de Marx mas de todo o debate aberto após as teses sobre o imperialismo, de Lênin e Rosa Luxemburgo, ou das concepções de desenvolvimento e subdesenvolvimento em Trótsqui, Paul Baran e Paul Sweezy, ademais de as críticas históricas ao desenvolvimentismo da CEPAL e ao etapismo dos partidos comunistas influenciados pela III Internacional; sendo assim, caberia empreender alguma aproximação de seu pensamento com o que nos toca a todos neste blogue: a contribuição da teoria crítica para o direito em sua inter (ou, em alguns momentos, até trans) disciplinaridade.

Sem dúvida, os temas da superexploração do trabalho e do subimperialismo rendem muitas discussões e polêmicas até hoje (onde se conserva a discussão sobre o pensamento de Maríni) e, por isso mesmo, colocam pontos de apoio importantes para se pensar a dependência dos países subdesenvolvidos sob o signo do capital.

Para Maríni, "o fundamento da dependência é a superexploração do trabalho" e esta, em último caso, se dá a partir do aprofundamento de relações sociais que levem o trabalho subordinado das periferias a serem regidos segundo a lei da extração da mais-valia em seu sentido absoluto, ou seja, em conformidade com a contra-mão da história de avanços e conquistas das classes trabalhadoras por maiores salários e menores cargas horárias de trabalho. No centro do capitalismo, a mais-valia relativa poderia, assim, grassar sem problemas. Na dialética da dependância, portanto, a submissão das periferias ao(s) centro(s) se faz pela aliança das burguesias nacionais com as forças imperialistas e, desta forma, o trabalhador resta superexplorado (ver livro "Dialética da dependência").

Mais do que isso, porém, a contribuição de Maríni também se constata no plano da complexificação das relações de poder no âmbito internacional. Daí a forte crítica ao papel do Brasil neste campo, cuja figura resplandesceria com seu subimperialismo. Eis que "nações de composição orgânica intermediária" passam também a se beneficiar da concentração e centralização tendencial do capital, de acordo com a nova divisão internacional do trabalho e com as características básicas das economias nacionais dependentes, a destacar-se a superexploração do capital, ainda que não só (ver o prefácio a "Subdesenvolvimento e revolução").

Pois bem, para além de tais desenvolvimentos teóricos, Maríni também indicou o alargamento do conceito de classe operária a partir das realidades dependentes, a fim de oxigenar esta reflexão e estabelecer novas mediações para a luta de classes (como já discutido aqui no blogue, em: "Os sujeitos históricos da transformação: organização político-jurídica e antropologia"; de Maríni, ver: "O conceito de trabalho produtivo").

Por fim, cabe aduzir estas construções teóricas ao âmbito jurídico-político. Ao tempo das discussões sobre a nova constituição brasileira, Maríni escreveu um texto colocando seu ponto de vista sobre o assunto, embotado que estava, como todos (ou quase todos!) os intelectuais e políticos brasileiros à época, pela necessidade da nova constituição. Como se sabe, uma constituição é sempre política mas nem por isso determina o ser de uma sociedade. Por isso é que Maríni indicava a necessidade dela mas não deixava de fazer suas críticas e propostas: continuava a deblaterar contra o estatismo político (ainda que isto não significasse anti-estatismo econômico), com o intuito de que as organizações populares, do campo e da cidade, ganhassem autonomia para poderem realizar um grande passo: "o que se impõe não é suprimir a regulação estatal, mas submetê-la mais diretamente à influência das massas". Talvez seja justamente neste sentido que se justifique a "função pedagógica do direito" atribuída por Maríni no momento preparatório da assembléia constituinte. Para seu tempo, uma necessidade; e, para o nosso, um uso tático, ainda que isto não possa corroborar uma tese universalista para a existência do direito. Com esta ressalva, terminemos com as palavras de nosso teórico marxista da dependência:

"brotando da vida real, do húmus fecundo da economia e da luta de classes, o direito é algo mais que o reconhecimento dos fatos; ele é também a previsão ou o desejo de que estes evoluam neste ou naquele sentido e contém, por isto mesmo, em semente, a visão do que pode ser o desenvolvimento futuro da sociedade. Neste sentido, o direito tem um caráter educativo, que, mais que qualquer outra lei, a Constituição deve captar e expressar" (do artigo "Possibilidades e limites da assembléia constituinte", não disponível na internet).
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Conferir ainda:
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Negro coração de Alegre Corrêa e Raul Boeira

Hoje, para contemplar nossa linha lúdica, apresento a letra e a música "Negro Coração", de Raul Boeira e Alegre Corrêa.

Boeira e Corrêa na África-Nação.


Negro Coração
Alegre Corrêa/Raul Boeira

Quem dera não fosse tão longe a Bahia
quem dera acordar no balanço do mar
tivesse o meu samba a batida, a magia
a ginga, a malícia do samba de lá

Não fosse o dono da capitania
ruim da cabeca e doente do pé

Soubesse o valor que tem esssa alegria 
não abafaria o couro do bumbo do zé

Soubesse o gosto da folia
mandava importar da bahia 
o tempero do canbomblé

Bate o tambor do continente
negro coração, negro coração
América morena filha
D'África nação, D'Africa nação

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A revolução do Jasmim e a praça Libertação: o estado de rebelião revolucionária na Tunísia e no Egito


Plantando democracia na Praça Tahrir, de Carlos Latuf


Em seu famoso "Discurso sobre o colonialismo", da década de 1950, o martinicano Aimé Césaire sentenciou: "a Europa é indefensável". Mas o que queria dizer o famoso anticolonialista? Referia-se justamente aos dois problemas abertos pela conquista européia e conseqüente "globalização" do capitalismo: o que ele chamou de "problema do proletariado" e "problema colonial". Nenhum discurso liberal, nenhum argumento burguês, nada conseguiu suturar este rombo no pavilhão do modo de produção hegemônico. Daí a indefensabilidade européia, uma metonímia geopolítica .

Quando assistimos, de fins de janeiro até agora, às insurgências que pululam no Magreb africano, parece que aquela sentença revigora, ainda que com outras palavras: "o imperialismo é indefensável". Se os Estados Unidos da América Anglo-Saxã tomaram o lugar da Europa, fizeram-no aperfeiçoando suas técnicas de domínio estrangeiro. A hiperexpansão capitalista no Oriente Médio, por exemplo, é uma mostra histórica disso.

Ainda que a complexidade da questão religiosa se coloque de maneira quase avassaladora, esta não passa de mais um dos dados que a realidade complexíssima do mundo árabe alberga. Desde 1917, um grande espectro rondou a indefensável Europa (e por Europa entendamos todo o capitalismo avançado!) e ameaçou a expansão indicada, a tal ponto que se colocou como alternativa mundial. Ocorreu isto especialmente a partir da guerra fria e do quase inevitável movimento das colônias africanas e asiáticas em buscar sua emancipação política, algo que já se havia apresentado na América Latina do século XIX.

As descolonizações, com forte influência soviética, chinesa ou até mesmo cubana, sempre preocuparam o imperialismo do capital, sendo que a derrocada das repúblicas soviéticas nada mais fez do que requentar a frieza da guerra com a instauração do famigerado "choque de civilizações", ideado já na década de 1970, pelos intelectuais orgânicos do estado de coisas, arregimentados em torno da Comissão Trilateral. A década de 1990, porém, trouxe consigo o auge do globalismo capitalista e as antes recônditas regiões do Oriente Médio rapidamente apareceram para o mundo, não só pela fonte de riquezas que representavam, mas também por sua expressividade cultural que não passaria despercebida frente aos grandes meios de comunicação articulados, com o despontar da internet.

Tudo isso não era lá muito nítido até que o 11 de setembro ressignificou discursos e práticas, mobilizando exércitos e teorias de segurança reacionárias. Veio para o centro da ribalta o terrorismo associado ao fundamentalismo, notadamente o islâmico. O choque de civilizações, à Huntington, cerra as mesmas fileiras do já decenal "fim da história", de Fucuiama, e dessa forma se acentua o conflito ocidente-oriente como se isto nada tivesse a ver com o enfrentamento norte-sul ou com o problema dos modos de vida - capitalismo ou barbárie (os demais modos de vida).

Se ao tempo da descolonização africana e asiática, Angola, Filipinas ou Cuba se tornaram comunistas, pouca valia isso tem para os centros difusores de conhecimento e informação, a Europa metonímica. A teoria política continua a se valer dos esquemas eurocêntricos para medir a dinâmica do poder no mundo; e se na Europa metonímica a revolução é impensável, logo o é para todo o mundo. Bom, dois erros. E dois erros que têm a ver com os dois problemas que fez com que Césaire sentenciasse: "a Europa é indefensável". Tanto a revolução é possível de ser pensada no centro do mundo, ainda que os maiores exemplos apareçam em suas franjas irlandesas, bascas e gregas, como este discurso reativo não resolveu o problema da contradição entre o capital e o trabalho entre os operários franceses, alemães ou estadunidenses, por exemplo.

No flanco do colonialismo, renovado hoje na esfera de países já formalmente independentes, ainda que muitos outros ainda estejam sob o jugo da dominação estrangeira (basta pensar na Guiana Francesa ou em Porto Rico), os acontecimentos do norte da África são eloqüentes.

E quanto a isso, é necessário ponderar algo. Todas as tendências das esquerdas têm concordado em relatar e disseminar a contagem dos eventos magrebinos a fim de mostrarem ao mundo que a história não acabou e que as massas têm muito potencial para impor suas formas de ver o mundo. Entretanto, igualmente concordam - e de forma surpreendente até - que o trem da história puxado pelas revoluções tunisiana e egípcia não aponta necessariamente para uma estação popular. Da esquerda chomsquiana às interpretações maoístas, passando pelos projetos socialista e popular na América Latina, todos demonstram preocupação e um certo gosto de perda de oportunidade histórica na boca, uma vez que os protestos e mobilizações populares da África árabe se ressentem de organização popular consolidada, com movimentos cristalizados e partidos revolucionários que possam modificar não só as estruturas políticas mas também as econômicas dos países da região. Ainda assim, o rastilho aceso e chegadiço à Argélia, Barêin, Sudão, Irã, Iêmen, Líbia e Jordânia, para não falar em Iraque e Afeganistão, faz com que tenhamos de ficar atentos para os próximos movimentos do imperialismo e dos subimperialismos (e aqui a Europa-metonímica precisa ceder espaço aos nomes dos bois: EUAAS, Israel, China e Europa ocidental).

Muitos pontos poderiam ser destacados na verdadeira simbologia que as revoluções na Tunísia e no Egito aportam. A revolução do jasmim tunisiana, como a dos cravos portuguesa, permite a nós, brasileiros, usar o título de uma velha canção de protesto: no meio de toda a insurgência falo do jasmim ou do cravo "pra não dizer que não falei das flores". Já a multidão de egípcios em plena Praça Libertação (Tahrir), lembra a discussão latino-americana, em busca da produção de um conhecimento próprio e não colonizado. No entanto, as flores e o povo na rua têm seu preço: muitas vidas ceifadas contra os ditadores e suas estruturas de poder nacional. Zineel Adine Ben Ali, na Tunísia, e Hosni Mubarac, no Egito, deixam seus postos pela força da pressão popular. Os dias 14 de janeiro e 11 de fevereiro, respectivamente, entram para a história das datas, oferecendo razão ao filósofo latino-americano Enrique Dússel que diz ser do povo, ontologicamente, o poder. Apenas o poder institucional pode ser alienado, fetichizado e corrompido; logo, tomado.





Revolução do jasmim, na Tunísia: "Pra não dizer que não falei das flores"


No Egito, os mais de 300 mortos e, na Tunísia, os mais de 100, seguidos dos 7 mártires suicidas (dentre os quais o desempregado com título universitário Mohamed Bouazizi que, após ser humilhado e roubado pela polícia local por exercer comérico ambulante, deu cabo à própria vida a 17 de dezembro marcando o início dos protestos que derrubaram a ditadura), apenas demonstram que a compreensão hipermoderna da política não se restringe a modelos de comportamento absenteístas e apassivados, pois a insurgência envolve a vida e não apenas a razão politológica dos atores envolvidos, sejam individuais sejam coletivos. Daí ganhar relevo a recente opinião de Dússel, assentada no artigo "Estado de rebelião egípcia?". Diz-nos o filósofo:

Carl Schmitt, para criticar el estado de derecho liberal puramente legal y vacío, sin convicción subjetiva sustancial del ciudadano, propuso repensar elestado de excepción, para mostrar que el primero, que se encuentra dentro de un sistema de legitimación como la estructura democrático-legal, estaba fundado en una voluntad (en último término del pueblo, pero en el caso de Schmitt sin expresión institucional consistente) que podía dejar al orden legal sin efecto en casos de extrema necesidad (como la institución de la dictadura en el imperio romano). La voluntad (del gobernante con autoridad y del pueblo) está detrás de las leyes, dándole un fundamento. Lo que Schmitt no imaginó, y Giorgio Agamben lo sugiere sin extenderse como sería conveniente, es que, por su parte, el propio estado de excepción puede ser dejado sin efecto, pero en este caso por el pueblo mismo, como única sede, y última instancia, del poder político. Esto nos recuerda aquel 20 de diciembre de 2001 en el que el pueblo argentino no respetando el toque de queda decretado por el gobierno salió a las calle y de hecho depuso a Fernando de la Rúa. Gritaba el pueblo: ¡Que se vayan todos! Las instituciones habían perdido legitimidad y el pueblo se lo recordaba a los representantes que corruptamente habían pretendido ejercer el poder delegado, pero a su servicio. De ese levantamiento surgió el gobierno de Néstor Kirchner que alcanzó mayor legitimidad. Se trata del mismo caso ahora en Egipto.


Logo se percebe o que para nós depõe a experiência egípcia e tunisiana. A teoria político-jurídica do estado tem em Ximite um lastro, assim como o conceito de direito é teoricamente impulsionado por Quélsen. Não há que negar tais contribuições, a não ser naquilo que falseiam a realidade. Mas naquilo que explicam-na, ainda que pelo lado da aparência, merece nossa atenção. Ocorre que a crítica ao estado liberal não é suficiente. É preciso ir até a vida-nua e mais além - a vida concretamente desnuda, na concepção dusseliana. O povo (ou, para contemplarmos nossa discussão interna ao blogue: a classe-que-vive-do-trabalho), como instância última de poder, pode desativar o estado de exceção das classes dominantes. Sim, poder estatal é poder, mas não precisa ser sempre poder das minorias e elites. Daí o estado de rebelião como conceito concreto para as realidades revolucionárias da periferia:

El estado de rebelión es un acto supremo por el que un pueblo manifiesta legítimamente (contra la legalidad presente y ante toda la futura) que las instituciones (y las leyes) por él instauradas han dejado de tener efecto por alguna causa grave (corrupción extrema, despotismo contra la voluntad del pueblo, violencia en sumo grado, etcétera).

[...]

El pueblo entonces aparece como el actor colectivo, no metafísico sino coyuntural, como un bloque social de los oprimidos (diría Antonio Gramsci) pero ahora con conciencia política, con un como hiper-poder renovado que estaba debajo del silencio sufriente y aparentemente paciente, un poder que de pronto irrumpe desde abajo en la praxis de liberación ante la dominación ya insoportable, que lanza las instituciones fetichizadas al aire como cuando expande la lava el volcán en erupción.

Nesse sentido, as duas últimas décadas teriam oferecido vários exemplos: além do episódio argentino, da revolução do jasmim e da revolução egípcia, também a experiência chiapaneca, ainda que parcialmente, e a bolivariana, no Caracazo e depois nos governos do socialismo do século XXI, em perspectiva geral.

Sem dúvida, não podemos nem devemos romantizar tais eventos históricos. Há uma forte tendência para que eles se acomodem a novas formas de dominação, na associação entre império e elites nacionais. No entanto, seu aparecimento é testemunho histórico que transcende, de longe, a capacidade da mobilização via redes sociais ou meios eletrônicos. Significa a ascensão da autoconsciência coletiva do povo, sua irmanação central com os trabalhadores organizados e em greve, com o condão histórico da acelarada pauperização das maiorias (ver editorial do jornal Brasil de Fato: "As revoluções reaparecem no século 21"). A estratégica de mobilização das massas em praça pública com a atividade dos trabalhadores organizados é a pólvora armazenada no paiol; basta colocá-la nas armas que a revolução vem, ainda que seus desdobramentos dependam dos homens e mulheres concretos em suas organizações locais, nacionais e internacionais. Que os bons ventos espalhem essa pólvora e a depositem nos lugares corretos, assim como os pássaros fecundam outras flores ao se alimentarem em alguns jasmins.


Conferir também:

- artigo “Revoltas se espalham pela região” (Brasil de Fato)
- artigo de Reginaldo Nasser “O fantasma da revolução” (Luís Nassif Online)
- artigo “Lutas de Libertação Nacional” (A Nova Democracia)
- artigo de Slavoj Zizek “Revoltas na Tunísia e Egito” (Polichinello)
- artigo de Ignacio Ramonet "Tunísia, Egito, Marrocos: essas ditaduras amigas" (Vermelho)
- entrevista “Chomsky: a reforma migratória, Egito e Obama” (Carta Maior)