segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

10 anos do CAJUÍNA



Foi enviado pela integrante do Centro de Assessoria Jurídica Popular de Teresina (Cajuína) Laís Ulisses, vídeo em homenagem aos 10 anos do grupo.

No sábado, dia 12 de dezembro de 2009, o Cajuína comemorou 10 anos de existência. Para Laís, esta data "simboliza a resistência da extensão popular, de muitos sonhos vividos e lutas que ainda estão por vir".

A comemoração envolveu integrantes do Cajuína e do MST, com momento místico de resgate sobre a história do projeto. Foi confeccionado o vídeo, repleto de fotos das atividades do grupo, de encontros da Rede Nacional de Assessoria Jurídica Universitária (Renaju) e de manifestações de luta.

No final do vídeo, fica uma pergunta aberta para nossa reflexão:
"A Ajup é um instrumento de luta no direito?"

Cabe lembrar que o Cajuína, junto com o Corage, sediarão o Encontro Nacional de Assessoria Jurídica Universitária (ERENAJU), em Teresina, Piuaí, na Páscoa de 2010. Este encontro promete!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Retificação: Revista Captura Críptica

Nas indicações dos textos sobre assessoria jurídica popular na Revista Captura Críptica esquecemos de constar o artigo:
Interdisciplinariedade e assessoria jurídica popular universitária: limites e possibilidades para a construção de uma agenda de extensão popular em direito.
por Eduardo Pazinato da Cunha e Iagê Zendron Miola

Nos desculpem pelo lapso e continuem sempre contribuindo com nosso blogue!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Biblioteca digital da assessoria jurídica popular

Constam no sítio "Scribd" os seguintes textos sobre assessoria jurídica popular.

RIBAS, Luiz Otávio. Direito insurgente e pluralismo jurídico: assessoria jurídica de movimentos populares.


BALDÉZ, Miguel Lanzellotti. Sobre o papel do direito na sociedade capitalista: direito insurgente. Petrópolis: CDDH, 1989.

PRESSBURGER, Thomaz Miguel. Direito, a alternativa. Em: ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL-RJ. Perspectivas sociológicas do direito. Rio de Janeiro: OAB, 1995.


O Instituto Apoio Jurídico Popular - AJUP (1985-2002) foi grupo de assessoria jurídica popular no Rio de Janeiro.


A coleção "Socializando o conhecimento" foi uma forma de distribuir conhecimentos sobre questões de terra rural e urbana, críticas e contribuições.

INSTITUTO APOIO JURÍDICO POPULAR. Discriminatória de terras públicas. Rio de Janeiro: AJUP/FASE, 1986. Coleção “Socializando conhecimentos” n. 1

PRESSBURGER, Miguel. Para conhecer Desapropriação. Rio de Janeiro: AJUP/FASE, 1987. Coleção “Socializando conhecimentos” n. 3


A coleção "Seminários" foi composta por publicações de artigos, teses, conferências, para divulgação de assuntos e fundamentos polêmicos sobre o Direito, a Justiça, a Advocacia e a Magistratura.

RECH, Daniel; PRESSBURGER, Miguel; ROCHA, Osvaldo Alencar; TORRE RANGEL, Jesús A. de la. Direito Insurgente: o direito dos oprimidos. Rio de Janeiro: AJUP/FASE, out. 1990. Coleção “seminários”, n. 14

CAMPILONGO, Celso; PRESSBURGER, Miguel. Discutindo a assessoria popular. Rio de Janeiro: AJUP/FASE, jun. 1991. Coleção “seminários”, n. 15

SOUZA MARTINS, José; FARIA, José Eduardo; CARVALHO, Eduardo Guimarães; PRESSUBURGER, T. Miguel. Discutindo a assessoria popular – II. Rio de Janeiro: AJUP/FASE, out. 1992. Coleção “seminários”, n. 17

ALFONSIN, Jacques Távora; RUPESINGHE, Kumar; KEKANA, Noko Frans. Direitos Humanos. Rio de Janeiro: AJUP/FASE, mar. 1993. Coleção “seminários”, n. 18

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Da forma, exegese e desnumeração


Inspirado pelo general Ribas, vasculhei minha gaveta e encontrei um desbocado poema empoeirado que vem a calhar em nossas conversas, preliminares da novidade que temos de gestar. Escrito entre 2006 e 2007, os versos se me apresentam como as gravuras de Poti Lazaroto, meio ingênuas meio provocadoras... Será que alguém se sente inter-ferido?
Da forma, exegese e desnumeração ou Preliminares

De terno, gravata, soneto e bravata
Há sempre alguma sílaba a sobrar
Soçobrando o poema de alma de lata
Calando a luzidia razão de bazar

Maldito fonema que a boca não mata
Pudico sistema – caduca ao fechar!
Mesuras de néscios, arrotam cascatas
Os leguleios da morte e do azar

De terno, gravata, e mais sonolências
Ambulam canastras do meta-poema
Mas eu – quem não sou? – de grandiloqüências

Estou farto: que escorram estratagemas
Que fujam as tônicas, a sapiência
E com elas as mil rimas exegéticas de quem só sabe interpretar os papéis:
Floema, xilema...
Ciência, condolência.
Ipanema, Borborema...
Ardência, imanência.
Ema, siriema...
Florência, transcendência.

Quem nunca viu a puta que o pariu?
Quem não pariu direito perdeu o espetáculo
Das rimas – trinadas, sobejas, pandectas...
Nada de arte nos freáticos seios da mãe-lei
Nada de sorte no colo da seita “demolei”
E que o grande arquiteto faça restar
Nas bases de seu edifício imaginário
Infra-estruturas vicejadas pelo cardápio romano da perfeição
Frases churchilianas dizem menos que o espasmo de dor daquele que não mora e não come e não dorme e não brinca e não se delicia com os versos de Eliot.
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Lancelot não se vê daqui
Só de além-mar
Por cá, apenas a longínqua língua abanheenga a nos embalar

E me perguntariam os poucos sonâmbulos
De certo, mui acordados e mais do que os zumbis
Do corre-corre do carrefur do corredor central da cidade:
- O que me diz, amigo?
Procliticamente,
Lhe digo que as luzes piscam e acendem nosso consumo
Lhe digo que os tímpanos preferem dó-fá-sol
Lhe digo, amigo, o enxofre exala de nossos fundilhos a cada vez que a mais ligeira das refeições nos nina os afazeres das tardes burocráticas
Ainda, que a minha ptialina tarda a encontrar a de Camões
E que a minha pele arrepia ao menor encontrão sem desculpas...
Lhe digo, em fim amigo, que as sentenças ditam e que os sentidos batem continência!
Plá!

Quisera eu ser Cortázar
“Mas não posso cantar como convém”
Quimera, som de Quásar
“Sem querer, sem querer ferir ninguém”
Sou apenas o que sou, a quizomba
As estrias do velho continente
O direito das antigas famílias
E a poesia do lugar nenhum...
Sou a utopia em sua mais germinal feição
Pois só será nascitura quando houver a permuta
Do eu pelo nós, da dor, pela noz
Da perua pela puta
E dos síndetos pelo infinito.

Ah, quem dera continuar e falar de minh’alma
Mas o espanto é breve e o desconforto, contínuo
Nas anchas e antigas memorialidades
Referiam-se a nós, entes a demandar iluminação,
Como emperuados
Chimarrões a serem tosquiados e expulsos do novo
Para nós, o diferente só como novação
Parvoalidades de contratos em espécie de pau-no-cuzismo
Mentalidades de quermesse do imutável
Véspera dos hierarcas, dos petrarcas e do onanismo.

Da biblioteca "Poesia crítica do direito"

Notícia de Jacques Alfonsin e Antonio Cechin


Na coluna semanal Jacques Alfonsin e Antonio Cechin escreveram sobre "Juízas/es elogiam e homenageiam o MST".

Na noite de 03 de dezembro de 2009, a diretoria da Associação de Juízes pela Democracia (AJD) entregou ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem-Terra (MST) uma homenagem - uma pintura inédita que representa a luta de Dom Quixote contra os "moinhos da opressão".

Uma iniciativa que colabora no desempenho da poder serviço do Judiciário e na construção da democracia em nosso país.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Recompensa do tédio / Utopia


Para exorcizar o Prates e "baixar" o espírito de Prestes, entoarei dois poemas curtos como o calibre de minhas palavras. Foram sentidos e escritos em março deste ano.

Recompensa do tédio

Recompensa do tédio
Apatia na madrugada
Cansaço da semana
Rotina que se repete
Quando iremos nos salvar

Barulho e bagunça
Cortejo dos célebres
Enterro da crítica
Flores para o músico



Utopia

E a multidão então um dia despertou
Mas já não havia aquele rancor de outrora
Agora valia a paixão por outro amanhã
A comunhão de vontades e de esforços

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A última de Luiz Carlos Prates (ou: Ai que saudades de Luiz Carlos Prestes)


Ouso dar um pitaco nessa história, não sem antes recordar os versos da canção:


"Num tempo
página infeliz da nossa história
passagem desbotada da memória
das nossas novas gerações..."


Todos devem se lembrar do caso Riocentro, escandaloso ato de sabotagem estatal feito para incriminar manifestantes anti-regime ditatorial em 1981 (se tratava de uma noite de música popular com cerca de 20 mil pessoas comemorando o dia do trabalho...). Pois bem, no caso, corolário de mais de 20 atentados a bomba, morreram sargento e capitão do exército. Era a investigação do exército fazendo das suas... Então, só este caso serviria para pôr na lata do lixo da história o governo do sr. Figueiredo, então presidente da república. Muitos ainda tentam salvá-lo: era a linha-dura da direita militarizada que se insurgia... Figueiredo queria a abertura política... foi responsável pela anistia, pela transição etc.


No entanto, o tal do boa-"praça" sr. Figueiredo tinha história. Para dizer o mínimo, este senhor foi chefe do gabinete militar do sr. Médici (o maior ditador, depois de D. Pedro II, que este país já teve... pela violência, maior que o sr. Vargas...). Os chefes de gabinete de juízes, desembargadores e afins devem saber da importância deste cargo em níveis nacionais e ditatoriais. E, para completar, foi ministro-chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações), o órgão nacional militar de investigação e informações sobre a política e a subversão internas. E isto durante o governo do sr. Geisel. Portanto, sua ascensão no exército deu-se toda ela após 1968, ou seja, pós-AI 5, período no qual se estabeleceram os anos de chumbo e a transição para o regime antidemocrático em que vivemos hoje! Trocando em miúdos: afora o governo do sr. Costa e Silva, de cujo cabeça morreria em 1969, todos os demais 16 anos de ditadura militar conheceram a mão do sr. Figueiredo no enredo triste e horripilante de nossa história, como detentor de altos cargos, quer dizer, do primeiro escalão (entre 1964 e 1969, o sr. Figueiredo foi “só” do segundo escalão – funcionário do SNI, comandante de brigada e comandante do estado-maior do III exército). Página infeliz, sem dúvida.


Nem por isso, vou deixar de dar alguma razão àqueles que analisam a nossa realidade política e ficam na aparência. Em essência, não há substancial transformação da realidade nacional, se adotamos como ponto de partida o fato de que o modo de produção continua sendo o mesmo. E estou ciente de que alguns outros esbravejarão: e a democracia? Isto não é uma mudança substancial? E eu responderia: deveria ser! Pena que o voto, por si só, não é a mais avançada instituição democrática existente. Em regra, o Brasil foi democrático sempre que possibilitou o direito ao voto. Sim, com diferenças: por vezes, censitário; por outras, não universalizado. A nossa tão festejada constituição, porém, não conseguiu fazer mais do que erigir a igualdade formal. E não poderia fazer mais, sem dúvida. Isto porque os interesses econômicos se mantêm. Assim, mantém-se toda a estrutura civil pré-diretas. O que dizer de nossa transição para a democracia senão que foi um ato de fé da comissão trilateral, para toda a América Latina, no meado final da década de 1970, capitaneada pelo sr. Cárter, futuro presidente estadunidense? E a que interesses o sr. Figueiredo estava ligado que não a estes? Não há sentença mais certeira: todos, inclusive ele, foram uns vende-pátrias! Uns lesa-pátrias! Uns quinta-colunas!


Pois bem, disse que concordava com o julgamento da aparência do fenômeno brasileiro atual. Uma vez o nada radical Marcelo Rubens Paiva declarou: se um militar fosse congelado ao tempo da ditadura e fosse acordado nos dias atuais (eram os tempos nefastos do sr. Cardoso como presidente), diria: "perdemos!" A cena política nacional dominada pelas figuras que se opuseram ao regime militar, porém, não conseguiu alterar substancialmente a realidade nacional. Ao menos, não para as maiorias superexploradas quotidianamente. Talvez, fosse o caso de todos nós, excelentes cidadãos, voltarmos os nossos olhos para a organização do trabalho no país e vermos o mar de impudicícia que nos circunda. A impiedade do capital foi arrasadora. Chega de discurso cidadão! Chega de filosofia de colonizador! Chega de história medieval! Chega de teoria político-jurídica da argumentação anencefálica! É tempo de olharmos nossa realidade, para não cairmos no maniqueísmo demodê: ditadura x democracia. Ambas são momentos de um mesmo processo. E o processo é catastrófico. Eu sei, muitos vão se desapontar com esta minha conclusão, mas não consigo deixar de pensar no atraso político que é nossa democracia constitucional. Sem participação política, sem distribuição dos meios de produção, sem acesso universal à educação em todos os seus níveis, sem democracia, enfim... É assim que andamos, cada vez mais: a democracia sem democracia – a fórmula de nosso tempo. Que democracia é esta? Talvez, os teóricos marxistas da dependência é que estivessem com a razão: é a democracia burguesa, concedendo às oligarquias (a corrupção) e ao povo (o voto).


Sei que pode parecer bastante severa e despropositadamente pessimista minha opinião. Mas isso revela que, entre nós, não há pensamento único. Por mais que queiram fazer de nós o espelho da crítica jurídica, tentaremos dar um passo além, ainda que na mudança de pés possamos ficar aleijados. Como diria Guimarães Rosa, viver é muito perigoso. Espero que não seja perigoso emitir opiniões que vão de encontro à paz que reina em nosso mundinho jurídico. É por isso que tenho de dizer: a fraseologia do sr. Luiz Carlos Prates, jornalista da RBS em Santa Catarina que fez uma ode ao governo Figueiredo e sua posição de “último ditador”, é digna de estudos... Mas que seja: ele tem – e sempre deve ter tido – interesses a defender e sem dúvida não são os interesses do povo e dos trabalhadores.


Por fim, um último esforço. A críptica (que não é a crítica) tem de se esforçar por superar o sonolento discurso hegemônico, que apesar de sonolento ostenta o imponente cetro do poder e o livro anti-prometéico: em uma mão, a polícia; em outra, a mídia. Sinceramente, espero que frases churchilianas não conquistem as massas latino-americanas, assim como conquistaram os britânicos para fazerem sua guerra capitalista, pois é preciso ter coragem para estudar a nossa história e, dentro dela, o período que vai do sr. Castelo Branco ao sr. Figueiredo. Capitalismo dependente, imperialismo e desigualdade material pela superexploração do trabalho são as marcas para qualquer análise materialista de nossa história. Mãos à obra!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Revista Civitas - chamada de artigos


As propostas podem ser encaminhadas até fevereiro de 2010.

O tema desta edição é "Conflitualidade social e acesso à justiça": diferentes formas de resolução/administração de conflitos, com a problematização de experiências concretas de informalização, desjudicialização, mediação e arbitragem, ou que busquem identificar sensibilidades jurídicas distintas e a coexistência de múltiplos referenciais para a administração de conflitos em uma mesma sociedade.

Os artigos devem ser encaminhados diretamente pelo sítio da Revista, mediante preenchimento de cadastro pelo autor.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O natal dos sem no Brasil

Na coluna quinzenal, Jacques Alfonsin e Antonio Cechin escrevem sobre "Entre o Menino Jesus e o Papai Noel".

Conforme os autores, num ano em que houve tanta perseguição das/os sem-terra e as/os sem-teto, resolveram escrever sobre o natal dos "sem", em artigo publicado hoje no IHU notícias.

Em tom de romance, Alfonsin e Cechin imaginam a situação de retorno do menino Jesus ao Brasil no final de ano. José e Maria, para o parto de Jesus, ao invés da manjedoura, procurariam abrigo num hospital público, sem êxito. Até encontrar guarida em uma comunidade pobre.

Esta homenagem lúdica aos sem-teto e sem-terra não abre mão da crítica às instituições, assim como do apelo espiritual, propondo uma reflexão sobre nosso comportamento consumista e cético.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sítio da revista Captura Críptica


Conheçam a revista discente do CPGD/UFSC "Captura Críptica: direito, política, atualidade".

A Captura Críptica recebe contribuições de estudantes, professores e profissionais, de todas as áreas do conhecimento e arte.

As contribuições podem ser textos artísticos, de opinião ou "científicos". As seções envolvem artigos, entrevista, traduções, verbetes e resenhas.

O foco são contribuições sobre o direito, a política, e a atualidade, com abordagens críticas.

O material pode ser enviado para o e-mail envio.captura@gmail.com, as regras de formatação constam no sítio www.ccj.ufsc.br/capturacriptica.

Não deixem de conferir nas duas primeiras edições as contribuições dos blogueiros:


por Ricardo Prestes Pazello

por Luiz Otávio Ribas

por Felipe Drehmer e Ricardo Prestes Pazello

por Luiz Otávio Ribas

por Ricardo Prestes Pazello



por Ricardo Prestes Pazello

Jesus Antonio de La Torre Rangel, entrevistado por Ricardo Prestes Pazello e Luiz Otávio Ribas

Artigo: Interdisciplinariedade e assessoria jurídica popular universitária: limites e possibilidades para a construção de uma agenda de extensão popular em direito.
por Eduardo Pazinato da Cunha e Iagê Zendron Miola

por Ricardo Prestes Pazello

por Luiz Otávio Ribas

por Diego Augusto Diehl