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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Antropologia jurídica: vídeos sobre comunidades tradicionais


O recente ressurgimento da antropologia jurídica no Brasil foi criado muito mais pela luta de movimentos sociais e povos e comunidades tradicionais do que por atos normativos extravagantes. Ainda que dispositivos constitucionais, desde 1988, garantam (e, de alguma maneira, inventem) a existência de comunidades com modos de vida diferenciados, como as indígenas e as quilombolas, ou que leis federais, estaduais, decretos, portarias e instruções normativas rejam a proteção de outras comunidades tradicionais, é a própria luta destas por reconhecimento, visibilidade, resistência e contestação que vem assegurando seu retorno como preocupação do direito nacional. Mudanças no ensino jurídico e na realidade social interpelam para o recomeço da relação entre antropologia e direito, no Brasil contemporâneo. Um dos capítulos privilegiados para se estudar tal relação é o do "direito das comunidades tradicionais", que funde saberes multi, inter e transdisciplinares como os conhecimentos tradicionais, a sociologia e a antropologia ou os direitos indígena, étnico, agrário e ambiental. Eis o motivo pelo qual divulgamos alguns vídeos que podem servir como material didático para se estudar referido "direito das comunidades tradicionais", a partir de 3 exemplos havidos no estado do Paraná: os indígenas kaingans, os faxinalenses e os quilombolas.

I. 
Texto e edição de Carlos Coutinho, imagens de Carlos Cardoso, narração de Marcos Hummel, produção de Valêncio Xavier, realização de “Globo Repórter” (1980).






II. 
Roteiro de Roberto M. de Souza, Mayra L. Bertussi, Esmael Telles Junior, José C. Vandresen e José C. Telles, narração de Flavia Rocha, edição de Ewerton Rudnick, direção e imagens de Anderson Leandro, produção de QuemTV, realização da Rede Faxinal e IEEP (2005).





III. 
Reportagem e edição de Henrique Oliveira, imagens de Harrison Esmaniotto, realização do CAOP-Direitos Constitucionais-MP/PR (2010).


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Documentário não quero falar de chacina

Documentário lançado em 2005 por Antonio Ernesto retrata a história do bairro de Vigário Geral ao longo das décadas com depoimentos emocionantes de morador@s.



Conforme é explicado no início do documentário, "Vigário Geral é um bairro do Rio de Janeiro que ficou mundialmente conhecido através de uma chacina ocorrida no Parque Proletário e que vitimou covardemente 21 pessoas". Conforme o depoimento de um morador, a violência marcou a história do lugar, tanto que as pessoas que moram fora do bairro tem medo, "se for pegar um táxi lá embaixo e pedir pra vir aqui pra Vigário Geral, tem motorista que fica preocupado, fica com medo de vir à Vigário Geral. Mas não precisa ter medo, em Vigário Geral a gente chega aqui, e sai, numa boa. Se ele fizer o mesmo em Copacabana, está arriscado a ser molestado". Outro relato no mesmo sentido é de que "quando a gente vai procurar um emprego e perguntam: ´você mora aonde?´. Muita gente diz que mora em Irajá, Vista Alegre. E tem gente que não conhece e pergunta onde fica Vista alegre, aí respondem Caxias. Eles nunca falam ´fica perto de Vigário Geral`. Porque o fato da chacina que ocorreu marcou muito esta região". 

Mas a história do lugar não é somente a da chacina. Morador@s ajudam a recontar a história de Vigário Geral e Jardim América: os banhos de rio, as brincadeiras de criança, a ferrovia, as quadras de futebol, a primeira padaria e a primeira igreja. Como Fausto, que nasceu no bairro em 1934, junto com Aluísio, que lembra que o bairro nasceu em 1910. O professor José Cláudio, que foi amigo de infância de Elias Maluco, e a professora Regina, que nasceu e leciona no bairro e lembra o crescimento das favelas. O artista Erley, que foi palhaço junto com Pororoca no circo América e atuou no cinema ao lado de Grande Otelo. O cadeirante Rogério que joga bola na quadra de esportes. O sambista Carlinhos Madrugada que começou na "estrela de ouro" contando a história do Brasil. A Dona Linda que lembra que antigamente caminhava por dentro dos terrenos, mas hoje vive enclausurada. O padre Luís Antonio que começou seu trabalho em Vigário Geral porque era uma comunidade muito tranquila.

Uma moradora esclarece que "Jardim América é um bairro vizinho, onde o crescimento de comunidades carentes nos últimos anos foi muito acentuado. Apesar de ser um bairro urbanizado, vez por outra, os meios de comunicação se referem à região como Favela do Jardim América". Mas até a década de 1950, tudo era Vigário Geral, na extensão da Baía de Guanabara até o limite com Pavuna. Depois que surgiu este segmento, o loteamento que deu-se este nome de Jardim América. Mas todo esta extensão é referida por quem não conhece como favela.

Praça Catolé do Rocha, ou Praça do Coreto.
A professora Regina não chama o lugar onde mora, Vila Esperança, de favela. Embora outras pessoas assim a conheçam. Diz que "fizeram um cinturão de favelas ao nosso redor". Ela conhece muito bem esta história, lembra que "a primeira favela do Rio se instalou no morro da Providência. Foram soldados que ´acabaram com Canudos` e voltaram da guerra sem moradia e trabalho. Ocuparam o mesmo lugar do morro que já tinha sido habitado por portugueses que foram expulsos dos cortiços, quando da urbanização do centro do Rio de Janeiro". Lembra que "a origem da favela não tem nada de discriminatório. No início das comunidades, falar em favela não era uma coisa agressiva. Mas com o passar do tempo ficou muito discriminado, por causa da violência". 

José Cláudio, professor da UFFRJ que conviveu com Elias Maluco, responde sobre a diferença entre eles, apesar de terem passado a infância no mesmo espaço. Defende que "qualquer pessoa de Vigário Geral, qualquer garoto, como eu, acho que poderia chegar a qualquer nível de conhecimento, de estudo, de competência. Qualquer um de nós. Como eu cheguei. Por mais que eu seja um em um milhão. Mas eu tive as possibilidades. (…) muitas outras pessoas aqui em Vigário Geral não tiveram este arranjo de possibilidades". Define que, neste contexto, "o tráfico e a violência constituem uma nova sociabilidade para os jovens". Infelizmente, a política de extermínio de pobres é muitas vezes defendida pelas pessoas, que não percebem a lógica de dominação política que está por trás disto". 

O música também marcou a história do bairro. Com Carlinhos Madrugada, fundador da "Estrela de ouro", que lamenta o samba de hoje com refrão, que não conta mais a história do Brasil. O artista Erley José compôs este hino, que sintetiza muito bem a ideia do documentário e do povo de Vigário Geral:

Hino de Vigário Geral
Erley José

Um tremzinho na estação
Um coreto na pracinha
Lá no alto uma igrejinha
Cresce uma população

Com cem anos de história
De progresso e de glória
De um povo humilde fraternal

Terra de trabalhadores
De professores e doutores
Compositores e cantores
Isto é Vigário Geral
Isto é Vigário Geral
Vigário Geral 

Ler ainda: 
Blogue da Associação de moradores e amigos de Vigário Geral - AMAVIG
Linque alternativo para o documentário.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Presente de ano novo


Para todas e todos que constróem e visitam esse blog

O que não se pode comprar.

E vamos construindo outras formas de viver...

Por um socialismo cotidianamente construído, com portas e janelas abertas, músicas e filmes compartilhados e muita comida gostosa à mesa.

  


Latinoamérica Calle 13
Soy... soy lo que dejaron
Soy toda la sobra de lo que se robaron
Un pueblo escondido en la cima
Mi piel es de cuero, por eso aguanta cualquier clima
Soy una fábrica de humo
Mano de obra campesina para tu consumo
frente de frío en el medio del verano
El amor en los tiempos del cólera, mi hermano!
Soy el sol que nace y el día que muere
Con los mejores atardeceres
Soy el desarrollo en carne viva
Un discurso político sin saliva
Las caras más bonitas que he conocido
Soy la fotografía de un desaparecido
La sangre dentro de tus venas
Soy un pedazo de tierra que vale la pena
Una canasta con frijoles, soy Maradona contra Inglaterra
Anotándote dos goles
Soy lo que sostiene mi bandera
La espina dorsal del planeta, es mi cordillera
Soy lo que me enseñó mi padre
El que no quiere a su patría, no quiere a su madre
Soy américa Latina, un pueblo sin piernas, pero que camina
Oye!
Coro
Totó La Momposina:
Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor
María Rita:
Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores
Totó La Momposina:
Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor
Susana Bacca:
Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores

Calle 13
Tengo los lagos, tengo los ríos
Tengo mis dientes pa' cuando me sonrio
La nieve que maquilla mis montañas
Tengo el sol que me seca y la lluvia que me baña
Un desierto embriagado con peyote
Un trago de pulque para cantar con los coyotes
Todo lo que necesito, tengo a mis pulmones respirando azul clarito
la altura que sofoca,
Soy las muelas de mi boca, mascando coca
El otoño con sus hojas desmayadas
Los versos escritos bajo la noches estrellada
Una viña repleta de uvas
Un cañaveral bajo el sol en Cuba
Soy el mar Caribe que vigila las casitas
Haciendo rituales de agua bendita
El viento que peina mi cabellos
Soy, todos los santos que cuelgan de mi cuello
El jugo de mi lucha no es artificial
Porque el abono de mi tierra es natural
Coro
Totó La Momposina:
Tú no puedes comprar el viento
Tú no puedes comprar el sol
Tú no puedes comprar la lluvia
Tú no puedes comprar el calor
Susana Bacca:
Tú no puedes comprar las nubes
Tú no puedes comprar los colores
Tú no puedes comprar mi alegría
Tú no puedes comprar mis dolores
María Rita:
não se pode comprar o vento
não se pode comprar o sol
não se pode comprar a chuva
não se pode comprar o calor
não se pode comprar as nuvens
não se pode comprar as cores
não se pode comprar minha'legria
não se pode comprar minhas dores

No puedes comprar el sol...
No puedes comprar la lluvia
vamos caminando, vamos dibujando x2

Calle 13
Trabajo bruto, pero con orgullo
Aquí se comparte, lo mío es tuyo
Este pueblo no se ahoga con marullo
Y se derrumba yo lo reconstruyo
tampoco pestañeo cuando te miro
para que te recuerde de mi apellido
La operación Condor invadiendo mi nido
Perdono pero nunca olvido
Oye!
Vamos caminando
Aquí se respira lucha
Vamos caminando
Yo canto porque se escucha
Vamos caminando
Aquí estamos de pie
Que viva la américa!
No puedes comprar mi vida...

domingo, 2 de outubro de 2011

Tradução de El árbor, el río, el hombre - de Atahualpa Yupanqui


Depois de muito procurar não consegui encontrar a letra inteira desta música, tampouco a tradução. Assim, resolvi traduzir junto com o Jandir Santin. Deixamos nossa contribuição para a rede mundial e para a cultura latino-americana!


"A árvore, o rio, o homem"
Versão traduzida: Luiz Ribas e Jandir Santin

A árvore já cortada
não a crave na terra
porque sua copa seca
não enganará os pássaros

O rio que corre
não lhe levante diques
porque no ar livre
cavalgarão as nuvens

Ao homem desterrado
não lhe fale de sua casa
À verdadeira pátria
Caro está pagando

A árvore já cortada
O rio que corre
O homem desterrado
Caro estão pagando

De tanto viver entre pedras
Eu cria que conversavam
Vozes não as senti nunca
Mas a alma não me engana

Algum "algo" hão de ter
Ainda que pareçam caladas
Não de balde tem enchido deus
de segredos a montanha

Algo se dizem as pedras
A mim não me engana a alma
Tremor, sombra ou que sei eu!
Igual que se conversavam

Oxalá pudera um dia
Viver assim: sem palavras



"El árbor, el río, el hombre"

Al árbol ya cortado
no lo claves en tierra
porque su copa seca
no engañará a los pájaros

Al río que discurre
No le levantes diques
Porque en el aire libre
Cabalgarán las nubes

Al hombre desterrado
No le hables de su casa
La verdadera patria
Caro la está pagando

El árbol ya cortado
El río que discurre
El hombre desterrado
Caro lo están pagando

Tanto vivir entre piedras
Yo creí que conversaban
Voces no he sentido nunca
Pero el alma no me engaña

Algún "algo" han de tener
Aunque parezcan calladas
No de balde ha llenau dios
De secretos la montaña

Algo se dicen las piedras
A mi no me engaña el alma
Temblor, sombra o que se que yo!
Igual que si conversaran

Malaya pudiera un día
Vivir así: sin palabras


Poema de Julio Cortázar "El árbor, el río, el hombre", mais letra de Atahualpa Yupanqui "Las piedras"; música “El Testamento de Amelia” melodía anónima catalana; interpretado por Atahualpa Yupanqui.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O direito achado na rua também se acha na tevê 2: a turma especial de direito na TV UFG

"Casulo" (2000), escultura de Siron Franco

Ousado e inovador foi o uso tático do direito que se realizou com a criação de uma Turma Especial de Direito para Beneficiários da Reforma Agrária e Agricultura Familiar. Rompendo, em alguma medida, a segregação do conhecimento que a organização do trabalho acadêmico impõe, a iniciativa também permite que as organizações que mais sofrem com a criminizalização e repressão do direito assuma um papel ativo e formalmente reconhecido nesse debate. Ao lado dos condenados da terra, num dos pólos da sociedade dividida em classes, a turma especial aparece como experiência que assume uma das veredas deste grande sertão jurídico, pois "de vários caminhos possíveis, resta-nos aquele que denuncia estas contradições e utiliza delas para a transformação social", como diria Hugo Belarmino, em texto já divulgado neste blogue - Uma sentença, vários caminhos: uma análise sobre a Turma Especial de Direito de Goiás.

E é esta experiência, da "rua jurídica", que ganha visibilidade em um programa da televisão universitária da UFG e que divulgamos aqui:



sábado, 25 de junho de 2011

Atuação do NAJUP “Negro Cosme” na Luta por Moradia


Por Paulo Cesar Corrêa Linhares

O vídeo trazido acima ilustra mais uma situação em que os cidadãos maranhenses sofrem ações que atropelam seus direitos declarados pela ordem jurídica. No caso, se trata da comunidade “Loteamento Todos os Santos”, localizada no município de Paço do Lumiar/MA, contíguo a São Luís.  Sem ordem judicial e sem qualquer diálogo com a comunidade, as construtoras K2 e Vitral Engenharia agrediram covardemente os moradores, ameaçando, com a presença do trator e de homens armados (policiais militares sem farda!), derrubar suas casas e plantações que estão no local há mais de quatro anos. Duas casas chegaram a ser derrubadas no ato. Só não houve maiores prejuízos porque a comunidade conseguiu contatar seus parceiros na luta pela moradia, e o NAJUP “Negro Cosme”, núcleo de assessoria jurídica universitária popular da Universidade Federal do Maranhão atuou como o vídeo bem mostra.
Em Paço do Lumiar, município de, aproximadamente, 100 mil habitantes estima-se que 40% da população não tenha sua situação habitacional regularizada. Não bastasse a insegurança jurídica da circunstância, a ameaça constante de despejos forçados que inúmeros moradores sofrem se agrava devido a pressões do mercado imobiliário, dada a proximidade com a capital São Luís. Grande parte de seu território se apresenta como extensão da área litorânea de São Luís e tem sido visada para a construção de condomínios de luxo.
Devido a este cenário pouco alentador, o NAJUP “Negro Cosme” tem desenvolvido suas atividades junto a estas comunidades de Paço do Lumiar (atualmente cerca de 20) em parceria com entidades defensoras dos Direitos Humanos. Nesse contexto, além das próprias comunidades, o NAJUP “Negro Cosme”, a Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA, a Defensoria Pública Estadual, a União de Luta por Moradia Popular, a CPT, o MST, e a CSP-Conlutas integram a Rede Estadual de Combate aos Despejos Forçados.
Ante a realidade sócio-econômica do estado, fazer com que os Direitos Humanos saiam do plano abstrato e adquiram sentido concreto na vida das pessoas - assegurando, assim, condições para que vivam dignamente - se nos mostra um grande desafio. A luta pela efetivação do direito à moradia cresce em importância, justamente, em virtude da estreita relação que estabelece com o valor da dignidade humana e com o ideal de uma sociedade mais justa e igualitária. Um convite à reflexão!

Ver blogue do NAJUP "Negro Cosme".

sábado, 4 de junho de 2011

Registro histórico e AJP: um vídeo de CORAJE

por Lucas Vieira Barros de Andrade

Na postagem, que é destacada nesse blogue, "O que é assessoria jurídica popular?", há um ponto em que se ressalta a necessidade de registros das atividades de um núcleo de AJ(u)P. Como é colocado na postagem, as inúmeras demandas impedem esse registro. O registro histórico permite acompanhar a evolução do núcleo, as discussões travadas, as dificuldades, vivências, leituras, etc. Desta forma, aquele/a que se iniciar no núcleo contará com um material que não só o repasse oral (também importante) para a sua formação na assessoria.

Entre o final de 2010 e o começo de 2011, todos/as os/as fundadores do Corpo de Assessoria Jurídica Estudantil (CORAJE) - projeto de extensão tocado por estudantes da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), em Teresina - já haviam saído do projeto. Alguns já haviam deixado antes e outros saíram com a formatura. Mas nas nossas conversas e avaliações consensuamos o quanto negligenciamos o fator registro no projeto, não por falta de entendimento da importância, mas por, no correr do dia-a-dia, não conseguir se organizar, efetivamente, para ter um registro sistematizado, mais ordenado, etc. Some-se o fato, enfrentado pela maioria dos núcleos de assessoria jurídica estudantis, de não termos uma sala fixa. Tanto que uma de nossas militantes, Juliana, ao escrever sua monografia, cujo tema era a experiência do CORAJE, encontrou certa dificuldade com materiais espalhados em nossas casas, HD's, nas salas do movimento estudantil, etc.

Esse ponto do registro me veio à mente agora, quando mexendo em arquivos pessoais, encontrei um vídeo gravado na ocasião da II Semana do CORAJE, realizada em 2008, na UESPI. É o vídeo de abertura, no 1º dia da 'semana' que teria 03 dias. Vendo o vídeo, tentei puxar na memória as discussões travadas para a construção dessa abertura. Queríamos algo que, já de cara, quebrasse com o formalismo típico das semanas jurídicas das faculdades de Direito. Quando tivemos a surpresa de que tínhamos muitas inscrições (o número não me é exato, entre 100 e 150 pessoas, acredito) essa necessidade ficou mais forte.


A idéia da apresentação inicial era colocar problematizações em relação à Justiça e também às opressões (em relação a classe, orientação sexual, idade, etc.) e de como essa Justiça que temos não contempla tais grupos e que é preciso uma mobilização para a destruição dessa e a construção coletiva de uma nova Justiça. Não lembro, ao certo, as discussões – daí a importância do registro como um todo. Éramos todos muitos novos, com as primeiras discussões ainda tomando "corpo", ainda muito imaturos, mas a vontade e a "coragem" nos impulsionava a fazer, sabíamos do que não queríamos e tínhamos uma idéia pra onde caminharmos - por isso convocávamos tod@s para fazer parte dessa construção.

Ao fim da apresentação, um texto de Roberto Aguiar, retirado do Livro 'O que é Justiça?', o qual reproduzo abaixo:

Bailarina inconstante e volúvel, a justiça troca de par no decorrer do jogo das contradições da história. Ora a vemos bailar com os poderosos, ora com os fracos, ora com os grandes senhores, ora com os pequenos e humildes. Nesse jogo dinâmico todos querem ser seu par e, quando ela passa para outras mãos, logo será chamada de prostituta pelos relegados ao segundo plano. A justiça sobrevive a todos os ritmos e a todos os pares, porque ela se pensa acima de todos eles, acima de todos os ritmos e pares, como se pairasse em um lugar onde os choques e os conflitos não existissem. Mas, nesse grande baile social, as, todos são comprometidos, ou com os donos do baile ou com a grande maioria que engendra novos ritmos que irão romper com as etiquetas e os próprios fundamentos da festa. E a justiça, julgando-se eterna e equilibrada, não sabe, mas envelhece, esvazia-se, torna-se objeto de chacotas e aqueles que foram por tanto tempo preteridos e nunca tiveram em suas mãos essa mulher, começam a pensar que não é uma fêmea distante e equilibrada que desejam, mas uma mulher apaixonada e comprometida que dance no baile social os novos ritmos da esperança e do comprometimento. Não querem mais um ser acima de todos, mas o que está inserido na luta daqueles que se empurram e gritam para que seus ritmos e músicas sejam ouvidos: os ritmos e músicas da vida, da alegria, do pão e da dignidade.

Essa bailaria que emerge não será diáfana e distante, não será de todos e de ninguém, não se porá acima dos circunstantes, mas entrará na dança de mãos dadas com os que não podem dançar e, amante da maioria, tomará o baile na luta e na invasão, pois essa justiça é irmã da esperança e filha da contestação. Mas o peculiar nisso tudo é que a velha dama inconstante continuará no baile, açulando seus donos contra essa nova justiça que não tem a virtude da distância nem a capa do equilíbrio, mas se veste com a roupa simples das maiorias oprimidas.

Essa nova justiça emergente do desequilíbrio assumido, do compromisso e do conflito destruirá aquela encastelada nas alturas da neutralidade e imergirá na seiva da terra, nas veias dos oprimidos, no filão por onde a história caminha. O que é a Justiça? É esta.

domingo, 29 de maio de 2011

O direito achado na rua também se acha na tevê

O impacto da obra de Roberto Lira Filho é surpreendemente vigoroso entre os críticos do direito e os críticos dos críticos. Gera paixões e ódios. E gera também visibilidade para a assessoria jurídica popular. É o caso do projeto da UnB inspirado pelo velho Lira Filho. Seu poder de difusão é muito grande. Nem a grande mídia pôde escapar a ele (ainda que nas proporções aceitas por ela mesma). Por isso, vimos aqui divulgar o vídeo informativo produzido por grande canal de comunicação divulgando o "Direito achado na rua". Nele, destaque seja feito para os depoimentos de dois de nossos colunistas colaboradores, Lívia Gimenes e Humberto Góes (o Betinho).

"Direito achado na rua", sob a perspectiva do Globo Universidade.


Conferir o blogue O direito achado na rua.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Maio, mês... do trabalho

Dentre tantas datas, escolhamos mais uma para co-memorar e para não passar sem lembranças. Trata-se do 1º do maio, o qual, a partir do vídeo construído coletivamente e sem propriedade privada dos meios de produção empregados, serve de reflexão e instrumento pedagógico para as assessorias populares.

Boa assistência a todas e todos!

Maio, nosso maio


terça-feira, 14 de setembro de 2010

SAJU-CE e o Plebiscito popular



Neste vídeo, o pessoal do SAJU-CE, junto com o Comitê da Campanha pelo Limite da Propriedade de Terra, abordam cidadãos na Praça do Ferreira, centro da cidade de Fortaleza.

As falas ratificam e problematizam a posição dos organizadores do Plebiscito popular pelo limite da propriedade da terra, que propõe a emenda ao artigo 186 da Constituição Federal, para o cumprimento da função social da propriedade.

Conforme a Assessoria de Comunicação do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA), a primeira etapa foi de abaixo-assinados para colher assinaturas de apoio ao plebiscito que pretende apresentar a emenda à constituição. O resultado será divulgado nos dias 18 e 19 de outubro.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Entrevista com José Pepe Mujica

















Para você que está preocupado com o destino da política na América Latina e acredita que este passa pelas eleições presidenciais segue entrevista com José Pepe Mujica, candidato favorito a assumir a Presidência do Uruguai.

A música que introduz o vídeo é "A redoblar", de Mauricio Ubal y Ruben Olivera, interpretada pelo grupo RUMBO. O ritmo é o candombe - ritmo popular de celebração e protesto.

Mujica deu esta entrevista a Flávio Aguiar, para a TV Carta Maior, publicada em 12 de fevereiro de 2005, na ocasião da eleição de Tabaré Vásquez.


José Pepe Mujica fez parte do movimento Tupamaro de resistência à ditadura uruguaia.

Mujica acredita que o Uruguai é um país pequeno, mas de tradição, muita cultura, liberal no sentido político e o mais equitativo historicamente num continente injusto. Fala sobre a função da esquerda política no Uruguai de agregar forças e criar uma cultura de negociação.

Para ele, a luta nos anos de repressão política é uma lição de vida que tem que ser transmitida para os mais jovens. Diz que vivemos numa conjuntura política favorável na América Latina, pois alguns governantes têm vontade política decente para aplicação dos recursos dos países. Aborda os problemas econômicos e sociais do país, apontando como o principal a utilização da capacidade ociosa, geração de trabalho. Fala da importância do campo universitário para a independência econômica, a propriedade da inteligência para a produção de conhecimento próprio. Aborda, por fim, a importância de assumir o Ministério da Agricultura e os desafios de enfrentar a imprensa de direita.


Muito interessante a proposta do jornalista Flávio Aguiar, de postar esta entrevista na véspera das eleições deste ano, para que façamos as comparações dos discursos em 2005 e 2009.

Ver artigo de Flávio Aguiar "Uruguai: quanto vale uma tradição republicana".


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Entrevista com Flávio Tavares

Nesta entrevista, feita pelo programa "Sintonia" da TV Câmara (1), Flávio Tavares relata fatos impressionantes de que foi observador ou protagonista, num dos períodos mais funestos de nossa história recente, a ditadura militar de 1964 a 1985. Como, por exemplo, a vez em que foi preso e solto com "pedido de desculpas", e outra em que foi solto junto ao grupo de militantes em troca do embaixador dos Estados Unidos. Conta ainda sua experiência como jornalista e professor da UnB.

(1) O "Sintonia" da TV Câmara é um programa cultural de entrevistas com artistas, acadêmicos e políticos sobre diversos aspectos da realidade cultural e do pensamento brasileiro.
Dentre as frases de destaque estão:
"Uma ditadura que censura até a previsão do tempo tem que ser combatida com armas, era a mentalidade da época";
"Foi o Getúlio que matou o Allende";
"Jango morreu de infarte, na Argentina, porque não se cuidava";
"Até os integralistas tinham posições políticas, hoje não";
"O ser humano é o objetivo concreto da política".


CLIQUE AQUI PARA VER A ENTREVISTA:
Flávio Tavares é jornalista, advogado e escritor. Na década de 1950, foi dirigente estudantil no Rio Grande do Sul. Integrou o grupo fundador da Universidade de Brasília, da qual é professor aposentado. De 1960 a 1968, foi comentarista político da Última Hora do RJ e de SP. Preso e banido do Brasil, foi redator do jornal Excelsior, do México e logo seu correspondente latino-americano, com sede em Buenos Aires, acumulando na América Latina e Europa as funções de correspondente internacional de O Estado de S. Paulo, do qual foi, também, editorialista político nos anos 1980.

Colunista político durante quarenta anos, ele acompanhou de perto, como jornalista e militante de esquerda, episódios que levaram ao golpe militar de 64, à repressão e à luta armada. Episódios que marcaram o caráter da política brasileira, especialmente nas décadas de 60 e 70. Reunidos em dois livros: "Memórias do Esquecimento", de 1999, da editora Globo e "O Dia em que Getúlio Matou Allende", de 2004.