Mostrando postagens com marcador manifestos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador manifestos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Manifesto da comunidade jurídica contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais no Rio de Janeiro


Há 50 anos foi instaurada no Brasil uma ditadura que durou mais de 21 anos. Junto a sindicatos, partidos políticos e movimentos do campo, as universidades foram uma das instituições atingidas pelo terror de Estado. Durante esse tempo, a autonomia universitária foi violentada. Estudantes, professores e técnicos administrativos foram duramente reprimidos através do constrangimento, da perseguição, da tortura e das prisões por criticar e lutar contra a ditadura.

Com a Constituição de 1988, foram afirmadas uma série de direitos e garantias fundamentais. Ainda assim, isso não impediu que uma pesada herança autocrática fosse deixada no período atual, com a continuidade de práticas autoritárias pelas instituições.

Uma das faces desse “passado que não passa” se expressa na escalada do poder repressivo do Estado nas favelas e periferias, que criminaliza a população que reside nessas áreas, afrontando uma série de garantias fundamentais válidas para todos e todas e expressas no texto constitucional. São recorrentes as denúncias, como as ocorridas no Parque União e Nova Holanda (duas comunidades do Complexo da Maré), de mandados de busca e apreensão coletivos, invasão de casas, detenções para averiguação, prisões arbitrárias, abusos de autoridade e até de torturas e desaparecimento forçado, como revelou o caso Amarildo. Esse processo foi chamado de “criminalização da pobreza” e uma de suas expressões passa também pela criminalização daqueles e daquelas que se insurgem contra. Historicamente no Brasil, as demandas por justiça social são tratadas como caso de polícia, e reforçadas no momento em que o Estado resolve intervir nos territórios de pobreza quase que exclusivamente através de seu braço policial.

FOTO: Ato em Defesa da Democracia | Contra a Criminalização da Liberdade de Manifestação | OAB-RJ 22/07/2014 Rio de Janeiro. FONTE: MIDIANINJA


CONTINUA...

sábado, 10 de novembro de 2012

Moção de comunidade no Rio de Janeiro contra remoções


Enviado por Rachel Barros para assessoriajuridicapopular@gmail.com

Contra as remoções arbitrárias!

Vila Amizade, não esquereceremos!

29/10/12

Moção de Repúdio às Remoções em Vila Amizade (Terreirão/Recreio dos Bandeirantes)

Nós, Coletivo Resistência Popular Zona Oeste, viemos a público repudiar as remoções ocorridas na comunidade Vila Amizade, localizada no Recreio dos Bandeirantes, e a consequente maceração do Direito Constitucional à Moradia.
O atentado aos Direitos Humanos se deu contra 14 famílias, aproximadamente 100 pessoas, moradoras de 20 casas. O fato aconteceu após o juiz responsável ter dado o veredicto favorável ao proprietário do terreno, em um processo que tramitava na justiça desde a ocupação do espaço na década de 80. O Deputado Estadual Domingos Brazão (PMDB) chegou a emitir, diretamente de seu gabinete, um ofício à LIGHT para exigir o desligamento do serviço e facilitar o processo de remoção dos lares que lá estavam há décadas.
Ora, é sabido que existe a construção de um empreendimento comercial em curso nos fundos do terreno onde foram derrubadas as casas, o que torna aquele espaço de grande valia para interesses da especulação imobiliária. O processo de expropriação que, como afirmamos, estava na justiça desde os anos 80, foi resolvido com tanta celeridade nos últimos dias que o repentino surgimento de tratores, oficiais de justiça e policiais militares na região causou desespero nos moradores.
Sem receber aviso prévio de 30 dias, em pouco menos de uma semana, após várias ameaças, as famílias esvaziaram os imóveis e procuraram refúgio na casa de amigos e familiares. Mesmo com a vigília de alguns, a luta tornou-se impossível quando o oficial de justiça conseguiu, junto ao juiz, a diminuição do prazo de demolição das casas para a última segunda-feira (29/10). O único direito que os moradores conseguiram foi o de um "aluguel social" provisório para que eles pudessem sobreviver até encontrar um novo lugar para viver.
Nós, do Coletivo Resistência Popular Zona Oeste, alinhados com o princípio dos Direitos Humanos, repudiamos, em primeiro lugar, a forma pela qual a prefeitura e o governo do Estado do Rio de Janeiro colocam-se ao lado dos barões da especulação imobiliária. Com essa postura política viram as costas ao povo, através da prática cotidiana de políticas de remoções, disseminadas pelas regiões de interesse econômico.


Repudiamos a violência atrelada a esse processo de remoção no qual a Vila Amizade é um entre diversos exemplos. Esse método leva o desespero e o desamparo a milhares de pessoas que construíram em um espaço seu lar, sua família, suas relações pessoais, suas histórias, seu afeto e seu trabalho.
Repudiamos, ainda, a forma desumana adotada pelo Estado, de constranger, ameaçar e expulsar as pessoas de suas casas para que elas perdessem seu direito de propriedade. Cortar a luz de moradores de uma região é uma truculência autoritária sobre, principalmente, uma população abandonada pelo poder político há tantos anos.
Diante de tal quadro calamitoso, exigimos:
 Que se cumpra a Lei Orgânica Municipal, Artigo 429, Inciso VI, que prevê o assentamento de famílias submetidas a processos de remoção na própria comunidade.
 A indenização de danos morais e materiais às mesmas famílias que tiveram seus direitos suprimidos para execução das determinações judiciárias.
 A fiscalização e embargo da obra do empreendimento comercial citado, pois há claros indícios que se trata de uma obra ilegal. O endereço é: Rua HW, no 250, Vila Amizade, Terreirão, Recreio.
Deste modo, nós do Coletivo Resistência Popular Zona Oeste colocamo-nos solidários ao sofrimento e à luta dos moradores da Comunidade Vila Amizade e contra a política de "fato consumado" e os crimes que ignoram os Direitos Humanos afirmados e reafirmados pelos poderes municipais e estaduais do Rio de Janeiro.
Certos das providências cabíveis. Seguiremos atentos.
Atenciosamente,
Coletivo Resistência Popular Zona Oeste (Recreio, Vargens, Barra da Tijuca e Jacarepaguá)
Para maiores detalhes: www.somostodosintelectuais.wordpress.com / coletivozonaoeste@gmail.com

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Manifesto em defesa do MST


Manifesto em defesa do MST

Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.
Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.
Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.
Bloquear a reforma agrária
Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário é deslocado dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.
Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.
O pesado operativo midiático-empresaria l visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais, como única alternativa para a agropecuária brasileira.
Concentração fundiária
A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.
Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no 1º semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.
Não violência
A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.
É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.
Contra a criminalização das lutas sociais
Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
Assinam esse documento:
Eduardo Galeano - Uruguai
István Mészáros - Inglaterra
Ana Esther Ceceña - México
Boaventura de Souza Santos - Portugal
Daniel Bensaid - França
Isabel Monal - Cuba
Michael Lowy - França
Claudia Korol - Argentina
Carlos Juliá – Argentina
Miguel Urbano Rodrigues - Portugal
Carlos Aguilar - Costa Rica
Ricardo Gimenez - Chile
Pedro Franco - República Dominicana
Brasil:
Antonio Candido
Ana Clara Ribeiro
Anita Leocadia Prestes
Andressa Caldas
André Vianna Dantas
André Campos Búrigo
Augusto César
Carlos Nelson Coutinho
Carlos Walter Porto-Gonçalves
Carlos Alberto Duarte
Carlos A. Barão
Cátia Guimarães
Cecília Rebouças Coimbra
Ciro Correia
Chico Alencar
Claudia Trindade
Claudia Santiago
Chico de Oliveira
Demian Bezerra de Melo
Emir Sader
Elias Santos
Eurelino Coelho
Eleuterio Prado
Fernando Vieira Velloso
Gaudêncio Frigotto
Gilberto Maringoni
Gilcilene Barão
Irene Seigle
Ivana Jinkings
Ivan Pinheiro
José Paulo Netto
Leandro Konder
Luis Fernando Veríssimo
Luiz Bassegio
Luis Acosta
Luisa Santiago
Lucia Maria Wanderley Neves
Marcelo Badaró Mattos
Marcelo Freixo
Marilda Iamamoto
Mariléa Venancio Porfirio
Mauro Luis Iasi
Maurício Vieira Martins
Otília Fiori Arantes
Paulo Arantes
Paulo Nakatani
Plínio de Arruda Sampaio
Plínio de Arruda Sampaio Filho
Renake Neves
Reinaldo A. Carcanholo
Ricardo Antunes
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
Roberto Leher
Sara Granemann
Sandra Carvalho
Sergio Romagnolo
Sheila Jacob
Virgínia Fontes
Vito Giannotti
Para subscrever esse manifesto, clique no link: