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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Povos Kayabi, Apiaka e Munduruku contra construção de hidroelétrica

Seguem documentos dos povos Kayabi, Apiaka e Munduruku, da região próxima a Alta Floresta, Mato Grosso, contra construção da Hidroelétrica de Teles Pires.


Leia ainda:
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - OIAB
Blogue "Furo"
Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Rádio Progresso
Telma Monteiro
SOS Rios do Brasil


Alta Floresta, 29 de março de 2012.

MANIFESTAÇÃO PÚBLICA DOS POVOS INDÍGENAS KAYABI, APIAKA E MUNDURUKU

Nós, povos indígenas Kayabi, Apiaka e Munduruku, reunidos em Alta Floresta, viemos a público manifestar nossa discordância em relação à construção do empreendimento Usina Hidrelétrica de Teles Pires e chamar a atenção do Estado brasileiro, Poder executivo, legislativo e judiciário, organizações internacionais, instituições não governamentais, povos indígenas e todos do povo brasileiro para o descumprimento de nossos direitos consagrados na Constituição Federal e Convenção 169 da OIT.
Primeiramente, informamos que JAMAIS FOMOS CONSULTADOS acerca deste empreendimento.
Nesta semana o empreendedor apresentou para as nossas lideranças o Plano Básico Ambiental da Usina Hidrelétrica de Teles Pires. Nós povos indígenas KAYABI, APIAKA e MUNDURUKU manifestamos publicamente que NÃO ACEITAMOS O PLANO BÁSICO AMBIENTAL APRESENTADO e que nestes dias não travamos quaisquer negociações com o empreendimento que viola todos os nossos direitos desde o início de seu licenciamento.
Exigimos do Estado brasileiro que se comprometa com os direitos dos povos indígenas e com seus compromissos internacionalmente firmados, agindo com boa fé.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Barragens, Convenção 169 e "o sempre mais do mesmo" do Estado brasileiro


Por Juliana de Paula, professora universitária de Alta Floresta-MT.


Moro no Mato Grosso e trabalho com os Kayabi, povo que será impactado (ou terá seu território tradicional impactado) por SEIS Usinas Hidrelétricas. Eles jamais foram consultados, apesar de dois destes seis empreendimentos já estarem em avançada fase de construção. Também tenho tido bastante contato com os Cinta Larga e Arara do Rio Branco que tiveram um cemitério violado e destruído pelo canteiro de obras da UHA de Dardanelos e estão na luta para que o empreendedor cumpra o tal do PBA. 

Em meus tempos de Santa Catarina, trabalhei com os Xokleng, povo que teve uma barragem construída dentro de suas terras e até hoje, mais de vinte anos depois, ainda não receberam as compensações devidas e, tampouco tiveram qualquer tipo de apoio por parte das instâncias competentes para enfrentar todos os problemas e dificuldades trazidas pela barragem. Quem quiser ler uma das maiores pérolas de preconceito e discriminação que o judiciário brasileiro já produziu pode acessar a sentença.